Com Obama, tensões raciais evoluem mas não desaparecem

Os proprietários de um restaurante de comida rápida de Nova York acreditavam que rebatizar seu estabelecimento com o nome de Barack Obama seria uma boa maneira de saudar a eleição do primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos. Estavam errados.

AFP |

Acusados de racismo, eles se envolveram num debate que mostra que cem dias após a chegada de um negro à Casa Branca, o caminho para a erradicação do preconceito ainda é longo.

Originário do Bangladesh, Mohammad Jabbar contou que decidiu rebatizar seu "Royal Fried Chicken", que passou a se chamar "Obama Fried Chicken" porque "adora" o presidente americano.

Ele não se deu conta, porém, que a expressão "fried chicken" (frango frito) é utilizada de um modo pejorativo para definir os negros, fazendo referência aos hábitos alimentares dos escravos.

"Batizar um restaurante com esse nome é uma atitude racista, quer os donos tenham feito de propósito ou não", afirmou à AFP um vereador de Nova York, Charles Barron.

A eleição de Obama parecia ter eliminado o último obstáculo para uma sociedade indiferente à cor da pele, mas na verdade, as relações interraciais permanecem difíceis.

"Diferenças intoleráveis persistem", escreveu a Liga Urbana Nacional em relatório sobre "a situação da América negra em 2009".

"Os negros têm duas vezes mais chances que os brancos de ficarem desempregados, três vezes mais chances de serem pobres, e seis vezes mais chances de serem presos", destaca o texto.

Apesar de o presidente ser negro, de seu governo ser multirracial e de um negro dirigir o Partido Republicano, 99% dos senadores são brancos, assim como os diretores da CIA e do FBI e a maioria dos delegados e dos grandes empresários.

Segundo especialistas, o racismo nos Estados Unidos é latente, às vezes inconsciente.

Assim, um estudo confidencial mostrou que os restaurantes de Manhattan preferem sistematicamente os candidatos brancos aos candidatos negros igualmente qualificados.

"O racismo é uma instituição, uma estrutura. A eleição de Obama não mudou nada", afirmou Barron, ex-membro das Panteras Negras, o movimento radical dos anos 60.

Hilary Shelton, diretor em Washington da Associação Nacional pelo Progressos dos Afro-Americanos (NAACP, sigla em inglês), é mais otimista. "Constatamos avanços incríveis ao longo desses cem dias", declarou, citando a aprovação de medidas sociais e econômicas, como a reforma da previdência social, que ajudam os negros a "sair da sombra".

"Obama está nos mostrando uma porta aberta", afirmou.

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