Islamabad, 5 set (EFE).- Após sofrer prisão, exílio e o desprezo dos paquistaneses, que deram a ele a alcunha de senhor 10%, Asif Ali Zardari, líder do Partido Popular do Paquistão (PPP), conseguiu hoje a maioria de votos necessária para se proclamar presidente do Paquistão, segundo os resultados preliminares.

A força do PPP e de seus aliados nas Assembléias do país, encarregadas da votação, transformaram Zardari em favorito para suceder Pervez Musharraf.

Para chegar até aqui, Zardari não duvidou em abrir mão de seu principal parceiro após a vitória eleitoral do PPP em fevereiro, o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, e afirmou que, para ele, os acordos entre os dois não eram "sagrados como o Corão".

A ruptura era previsível, já que Zardari passou quase onze anos na prisão por conta de acusações levantadas durante os Governos de Sharif, que lhe deram sua fama de corrupto pelos supostos subornos que cobrava.

Nascido em Nawabshah, na província de Sindh (sudeste), no dia 21 de junho de 1956, em uma família de fazendeiros, o jovem Zardari cursou apenas o ensino médio.

Em 1987, casou-se de maneira arranjada com Benazir Bhutto, herdeira de uma dinastia política, educada em Oxford e que um ano depois - com apenas 35 - se transformou na primeira mulher à frente do Governo do Paquistão.

Zardari é popularmente considerado o responsável pela corrupção que pôs fim aos dois Governos de sua esposa, alternados com Executivos de Sharif.

Após a queda do primeiro Governo de Bhutto, Zardari foi acusado de extorsão e passou três anos na prisão, até ser exonerado quando sua esposa recuperou o poder, em 1993.

Bhutto caiu outra vez em outubro de 1996, e Zardari voltou para a prisão, desta vez por um período de oito anos, nos quais surgiram várias acusações contra ele, entre elas o assassinato de seu cunhado, Murtaza Bhutto.

O PPP sempre alegou que as acusações foram motivadas politicamente e que seu período na prisão e as torturas que sofreu prejudicaram gravemente a saúde de Zardari, que é diabético, tem problemas cardíacos e sofre com dores nas costas.

"A corrupção é um estado mental. Uma pessoa corrupta (...) não teria sacrificado oito anos de sua vida na prisão. Poderia ter aceitado um acordo vivido no exílio", disse em entrevista em 2005.

A prisão, o exílio e a morte de Bhutto em um atentado no fim de 2007 separaram de vez o casal, que passou somente cinco anos realmente junto e teve três filhos: Bilawal, em 1988, Bajtawar, em 1990, e Asafa, em 1996.

Quando foi libertado em 2004, Zardari se mudou para Nova York e não para Dubai, onde sua esposa e filhos viviam no exílio desde o começo de 1999.

"Sou um completo estranho para meus filhos", lamentou uma vez, embora as notícias da época retratem uma vida de prazer e luxo nos Estados Unidos.

No entanto, Benazir sempre defendeu em público o apoio de seu marido e negou os "rumores venenosos" sobre seu suposto afastamento.

Quando Bhutto retornou ao Paquistão, no dia 18 de outubro de 2007, após conseguir uma anistia de Musharraf, seu marido não estava ao seu lado.

Apesar de sempre ter ocupado algum posto ministerial nos dois Executivos de Benazir, Zardari não era membro do PPP nem candidato às eleições em que sua esposa tentava retornar ao Governo, no começo de 2008.

Seu assassinato em um atentado em 27 de dezembro de 2007 precipitou a ascensão de Zardari à cúpula do PPP.

Nos meses seguintes, ele se aproximou cada vez mais do poder, alternando períodos em Islamabad com viagens de negócio ao exterior, sem se esquecer de estimular o culto de muitos paquistaneses à família Bhutto. EFE pk/mh

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.