Com Morales reeleito, Bolívia pensa em pleito regional

La Paz, 4 jan (EFE).- Após a arrasadora vitória do presidente Evo Morales no pleito de dezembro, a Bolívia ruma agora às eleições regionais e municipais de 4 de abril, após a renúncia hoje de vários governadores regionais e prefeitos que buscarão a reeleição para o período 2010-2015.

EFE |

Os governadores regionais opositores Rubén Costas, do departamento (estado) de Santa Cruz, e Ernesto Suárez, do departamento de Beni, foram os primeiros a divulgar nesta segunda-feira suas demissões com o propósito de iniciar suas campanhas.

Costas e Suárez cumpriram assim com o previsto pelo calendário da Corte Nacional Eleitoral, que estabelece a renúncia nos postos dessas categorias 90 dias antes da votação para que seus ocupantes possam tentar a reeleição.

Santa Cruz e Beni são os dois maiores departamentos dos nove da Bolívia e nos quais a oposição triunfou no pleito geral de dezembro, apesar de Morales ter vencido com 64% dos votos no total do país.

Nas próximas horas, deve renunciar o também opositor Mario Cossío, governador regional do departamento de Tarija, rico em gás e petróleo, para participar das eleições regionais.

A governadora de Chuquisaca, a opositora quíchua Savina Cuéllar, se limitou hoje a afirmar que tem até meia-noite para decidir sobre se tentará ou não a reeleição.

Pelo contrário, o governista Mario Virreira, governador regional de Potosí, surpreendeu hoje à tarde ao anunciar sua decisão de não renunciar para buscar a reeleição, apesar de Morales tê-lo apresentado como candidato em ocasiões anteriores.

Em Tarija, Chuquisaca e Potosí, o governista Movimento Ao Socialismo (MAS) levou a melhor nas eleições gerais, assim como em La Paz, Oruro e Cochabamba, mas perdeu em Pando, Beni e Santa Cruz.

Outros que renunciaram para participar das eleições foram os prefeitos de Tarija, Óscar Montes; de Santa Cruz, Percy Fernández, e de Cochabamba, Gonzalo Terceros, enquanto o de La Paz, Juan del Granado, decidiu seguir no cargo até o final de seu mandato.

Os governos regionais serão assumidos pelos secretários gerais, que vêm logo abaixo na hierarquia institucional. Nos municípios, os vereadores elegerão um deles como prefeito.

Em abril, a oposição tentará manter seus espaços de poder na Bolívia depois que Morales conseguiu nas recentes eleições gerais um triunfo tão acachapante que seu partido controlará sem problemas as duas câmaras do Legislativo nacional.

Ao refletir a importância desse pleito para o Governo, Morales expressou seu desejo de que seu partido, o MAS, triunfe em todas as Prefeituras e todos os departamentos.

No mesmo sentido, o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, disse hoje que "a chave para o funcionamento" de departamentos e municípios "é sua articulação com o Governo central".

De acordo com García Linera, Governo e Prefeituras devem ter a mesma orientação política para evitar o que ocorreu na gestão que termina, "quando os governadores regionais se achavam presidenciáveis e, em vez de governar, se dedicaram a bloquear" o Governo.

Nos últimos dias, Morales se reuniu com movimentos sociais de várias regiões do país para fechar acordos sobre os candidatos de seu partido.

Uma das surpresas das candidaturas foi anunciada hoje pelo próprio Morales ao apresentar o empresário e ex-prefeito de Santa Cruz Roberto Fernández, de 41 anos, como seu candidato para o município de Santa Cruz, sem que seja membro de seu partido.

No mesmo ato apresentou o veterano militante socialista Jerjes Justiano, ex-parlamentar e ex-reitor universitário, como candidato ao Governo de Santa Cruz.

Há poucos dias, em La Paz, Morales anunciou como candidato a governador o intelectual indigenista e ex-ministro da Educação Félix Patzi e, em Chuquisaca, o dirigente camponês Esteban Urquizo.

Segundo analistas, a eleição regional e municipal de abril será muito complexa porque haverá a escolha de nove governadores, quase 330 prefeitos, mais de 1.700 vereadores municipais ou departamentais, além das autoridades para 10 autonomias indígenas.

EFE lav/bba

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