Com marchas e música colombianos pedem no domingo a liberdade dos reféns

Os colombianos vão realizarar neste domingo grandes passeatas e shows em seu país e no exterior como parte de sua festa nacional, e para pedir a libertação de mais de 2.800 reféns, num protesto estimulado pelos 15 reféns da guerrilha das Farc resgatados há duas semanas.

AFP |

Uma cerimônia especial será realizada em Leticia, cidade amazônica colombiana na fronteira com Brasil e Peru, coincidindo com a parada militar que celebra a declaração da independência da Colômbia em 1810.

Em Leticia, o desfile será aberto com o hino nacional colombiano cantado por Shakira. Estarão presentes o presidente colombiano Alvaro Uribe, e seus colegas Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e Alán García (Peru), que terão uma reunião tripartite.

Sob o lema "Liberdade já", as manifestações serão realizadas em mais de mil cidades colombianas e em cerca de 80 cidades do mundo, incluindo um show na Praça Trocadero de Paris, que será assistido pela franco-colombiana Ingrid Betancourt, que estava entre os 15 reféns libertados.

"No dia 20 de julho quero gritar, com vocês, pela independência e pela liberdade daqueles que ainda são reféns das Farc na Colômbia", disse Betancourt no dia 9 de julho na Assembléia Nacional Francesa ao anunciar a realização das marchas.

As principais figuras da música colombiana, com destaque para Shakira e Juanes, confirmaram a sua participação nos shows de encerramento das marchas.

Em Bogotá a previsão é de que mais de 50.000 pessoas se reúnam na Praça de Bolívar. Alguns dos reféns que recuperaram a liberdade junto com Betancourt, participarão das manifestações em algumas das 32 capitais de departamentos.

No exterior estão previstas manifestações em 26 cidades da América Latina, 20 da Europa, seis da Ásia, 27 dos Estados Unidos e quatro do Canadá.

Será a terceira manifestação pedindo a libertação dos reféns de grupos guerrilheiros realizada este ano na Colômbia. Os organizadores esperam superar os mais de 5 milhões de participantes registrados em 125 cidades no dia 4 de fevereiro.

Outras 2 milhões de pessoas participaram no início de março de uma marcha em memória das vítimas dos grupos paramilitares de direita e dos desparecidos.

Olga Lucía Gómez, diretora da Fundação País Livre, que fornece assistência às vítimas de seqüestro, disse à AFP que a manifestação "é para exigir não apenas a libertação dos reféns da guerrilha, e sim de todos os seqüestrados em poder de quem quer que seja".

Julio Roberto Gómez, presidente da Central Geral de Trabalhadores (CGT), disse em uma entrevista coletiva à imprensa que se trata de uma "oportunidade para que aqueles seqüestrados dos quais ainda não se sabe o nome sejam identificados publicamente".

Gómez ressaltou que o drama de milhares de seqüestrados foi ofuscado pela importância dada nos últimos anos ao tema dos reféns políticos.

Na convocação para a manifestação, assinada por sete ONGs, estão dois grupos formados por meio da internet.

Embora a convocação proponha um "amplo acordo de união nacional para uma Colômbia em paz", esse desejo contrasta com as posições conflitantes das Farc e do governo, após a operação militar que resgatou o grupo de reféns das mãos dos rebeldes.

O governo colombiano anunciou que buscará um contato direto com o grupo guerrilheiro, dando de fato por concluída a mediação de França, Suíça e Espanha para tentar estabelecer um processo de paz. Mas os rebeldes deixaram claro que não dialogarão com o governo de Alvaro Uribe e pediram a participação do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega. O governo colombiano rejeitou essa opção.

hov/dm/sd

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