Com mais 4 ví­timas, Tuní­sia registra 66 mortos desde dezembro

Protestos contra o governo por desemprego continuam apesar de imposição de toque de recolher em várias cidades

iG São Paulo |

Manifestantes lançaram pedras contra ônibus elétricos e prédios do governo na capital da Tunísia na quinta-feira em desafio às crescentes duras tentativas do governo de pôr fim a mais de três semanas de tumultos causados pelos jovens por causa do desemprego.

Na madrugada, a polícia abriu fogo contra pessoas que desafiaram um toque de recolher do governo em várias cidades, disseram membros da oposição. Um político oposicionista e um líder sindical disseram que ao menos quatro manifestantes foram mortos, mas a Federação Internacional de Direitos Humanos disse ter recebido confirmação de oito mortos e 50 feridos somente na grande Túnis, a capital do país.

AFP
Garoto brinca dentro de ônibus incendiado no distrito de Cite Intilaka, a vários quilômetros da capital da Tunísia, Túnis
O número elevou o número de mortos para 66 desde meados de dezembro, disse o grupo, quase três vezes mais do que a contagem oficial do governo, de 23.

Uma coluna de fumaça pôde ser vista a vários quilômetros da cidade. Segundo as mesmas fontes, apesar do toque de recolher decretado na região, os manifestantes atacaram três delegacias de polícia, queimaram um grande supermercado e atacaram o escritório dos correios no centro da cidade.

A violência sem precedentes revelou um profundo descontentamento contra o autocrático presidente Zine El Abidine Ben Ali, que reprimiu as liberdades civis, prendeu oponentes e impôs um forte controle sobre a mídia durante os 23 anos de governo no paraíso de turismo no Mediterrâneo, onde tumultos eram raros.

Em meio aos distúrbios, Ben Ali disse ter pedido aos policiais que não abram fogo contra os manifestantes. O presidente garantiu também que não buscará um novo mandato, a partir de 2014, quando encerra o atual. O discurso levou dezenas de manifestantes às ruas gritando "Ben Ali, Ben Ali!".

A região da bacia de Gafsa viveu uma onda de revoltas sociais em 2008, que duraram seis meses. Na cidade de Kaserín, que também viveu uma revolta social em meados de dezembro, as manifestações e os enfrentamentos com as forças de segurança também recomeçaram.

Na capital tunisiana, fontes sindicais disseram que um jovem de 25 anos morreu na noite de quarta-feira por tiros da polícia pouco antes do início do toque de recolher em um bairro pobre dos arredores da cidade.

Centenas de jovens desafiaram o toque de recolher na capital e protestaram por alguns bairros do norte da cidade e em vários distritos operários nos arredores.A presença militar na capital tunisiana continuava na manhã desta quinta-feira em torno da sede da televisão estatal, rodeada por soldados armados e um caminhão do Exército.

Em outras partes do centro, as unidades militares foram substituídas por efetivos policiais e blindados das forças antidistúrbios que garantiram a segurança de organismos oficiais. O edifício do Ministério do Interior permaneceu por pequenos tanques das forças de segurança.

*Com EFE, BBC e AP

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