A economia dos Estados Unidos viveu mais um dia sombrio nesta quarta-feira, com a divulgadação de que a taxa de inflação registrou sua maior aceleração em 26 anos e que o índice de preços ao consumidor sofreu sua maior elevação desde 1982. Ben Bernanke, o presidente do Federal Reserve (Fed, como é conhecido o Banco Central americano), admitiu que a inflação atualmente está muito alta e que a economia enfrenta tempos difíceis, em seu depoimento no Comitê de Finanças do Congresso, nesta quarta-feira.

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), a principal ferramenta para que o governo americano meça a inflação, do mês de junho subiu 1,1%. Foi a maior elevação desde 1982.

Em relação a junho de 2007, o nível de preços ficou 5% acima, o que representa a maior aceleração desde 1991, de acordo com dados do Departamento do Trabalho dos EUA.

Os números refletem a alta dos preços de energia, que ficaram 6,6% mais caros em junho em conseqüência do aumento da gasolina, do gás natural e de gás para aquecimento.

Inflação
O chefe do Fed disse que o órgão tem como uma de suas principais prioridades reduzir o nível da inflação. Mas Bernanke afirmou que alguns dos fatores que vêm impulsionando a inflação, como a alta de preços de petróleo e outras commodities, estão além do controle do Fed.

Durante seus dois dias de testemunho no comitê do Congresso, Bernanke deu perspectivas pessimistas sobre a economia americana, devido a fatores como a queda nos preços de imóveis, a desaceleração do mercado de trabalho e as dificuldades do sistema financeiro.

Ainda nesta quarta, o Fed divulgou a minuta da última reunião do órgão, realizada nos dias 24 e 25 de junho, na qual os oficias do banco afirmavam que, a partir de agosto, o Fed provavelmente iria elevar as taxas de juros em vigor no país para além da atual taxa de 2%.

Mas Bernanke deu sinais, em seu depoimento, de que isso não deverá ocorrer, na próxima reunião do banco, no dia 5 de agosto, devido à fragilidade da economia do país.

O secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, também esteve nesta quarta no Congresso, para buscar apoio ao plano apresentado recentemente pelo governo americano de socorrer as instituições de refinanciamento hipotecário Fannie Mae e Freddie Mac, cujas ações sofreram um colapso de quase 50% na semana passada.

O projeto, que depende da aprovação do Congresso, prevê um aumento temporário, durante 18 meses, da linha de crédito de US$ 2,25 bilhões de concedida pelo Tesouro aos dois órgãos e prevê a autorização da compra pelo Tesouro, de partes de ambas empresas, no caso de a crise se agravar.

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