Com fracasso de reunião de Bush, plano e debate ficam em suspenso

Paco G. Paz.

EFE |

Washington, 25 set (EFE).- Após o fracasso da reunião do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, a respeito do plano para salvar o sistema financeiro, os líderes do Congresso americano terão agora que chegar a um novo acordo sobre a iniciativa.

"Há um claro senso de urgência e um entendimento sobre a importância de estabilizar os mercados e prevenir uma crise financeira em massa que afetaria todo mundo nos Estados Unidos", disse Dana Perino, porta-voz da Presidência.

Nesta quinta-feira, Bush se reuniu durante uma hora, na ala oeste da Casa Branca, com os principais líderes do Congresso e com os presidenciáveis Barack Obama e John McCain.

Bem no começo do encontro, o presidente deixou transparecer um certo otimismo quando fez a seguinte declaração: "Minha esperança é que possamos chegar a um acordo muito em breve".

Horas antes, um grupo de líderes democratas e republicanos já havia anunciado um princípio de consenso em relação ao pacote, que prevê a compra de até US$ 700 bilhões em ações podres em poder de bancos.

Mas, no meio da reunião, alguns figurões do Partido Republicano se voltaram contra o pacto, tornando um fracasso o histórico encontro.

O republicano de mais alto nível na Comissão de Bancos do Senado, Richard Shelby, disse que muitos membros de seu partido não gostam do plano de resgate montado pelo Governo.

"Não temos um acordo. Ainda há um monte de opiniões", destacou Shelby.

Já o líder dos republicanos na Câmara de Representantes, John Boehner, disse em comunicado que os integrantes de sua legenda não disseram "'sim' a nenhum acordo até o momento".

Nos últimos dias, alguns republicanos declararam que o plano de intervenção da Casa Branca praticamente acaba com o "livre mercado e instaura o socialismo".

O democrata Christopher Dodd, que preside a Comissão de Bancos do Senado, demonstrou seu descontentamento com os obstáculos impostos pelos republicanos, e, em declarações à "CNN", afirmou que, com esta postura, os conservadores não buscam "um resgate financeiro, mas uma operação para resgatar a campanha de John McCain".

A resistência dos republicanos pôs em perigo o princípio de acordo que representantes dos dois partidos tinham alcançado horas antes, o qual, a grosso modo, definia o que deveria ser incluído no texto final.

Uma das propostas seria liberar os US$ 700 bilhões em partes, e o Congresso ainda poderia reter parte dos recursos caso não ficasse satisfeito com o resultado do pacote.

Em um primeiro momento, o Tesouro receberia apenas US$ 250 bilhões, aos quais se somariam outros US$ 100 bilhões se o Governo realmente precisasse.

O mesmo ocorreria com os US$ 350 bilhões restantes, sendo que o Congresso teria poderes para vetar o saque desta soma.

Outras condições para o pacote seriam: criar um conselho para supervisionar a execução do socorro, permitir que os proprietários de imóveis renegociem suas hipotecas e impôr limites aos salários dos executivos das companhias socorridas.

A ausência de um acordo final sobre a proposta do Governo deixa em suspenso a realização do primeiro debate presidencial entre Obama e McCain, previsto para amanhã, no Mississipi.

O candidato republicano é a favor do adiamento do confronto caso antes não se chegue a um acordo no Congresso sobre o pacote de medidas contra a crise.

A campanha de McCain, na última hora da tarde desta quinta-feira, reiterou que "nenhuma decisão a respeito foi tomada até agora", ao passo que Obama disse à "CNN" que achava "importante" o encontro de amanhã. EFE pgp/sc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG