Com foco na Coreia do Norte, China recebe novo premiê do Japão

PEQUIM (Reuters) - A China anunciou na terça-feira que receberá o novo primeiro-ministro do Japão para uma cúpula trilateral com a Coreia do Sul, em cuja agenda o principal item deve ser o programa de armas nucleares da Coreia do Norte. O Partido Democrático do Japão, cuja vitória eleitoral no final de agosto encerrou 50 anos de hegemonia quase ininterrupta do Partido Liberal Democrático, quer sepultar o passado militarista que assombra as relações de Tóquio com outros países da Ásia, mas também tentará conter o avanço econômico da rival China, segundo analistas.

Reuters |

"(Na) reunião entre os líderes de China, Japão e Coreia do Sul e seus chanceleres (...), a China será a coordenadora e a anfitriã da reunião", disse a porta-voz Jiang Yu a jornalistas em Pequim.

Ela disse que a data ainda está sendo agendada, mas o jornal japonês Asahi afirmou que o encontro será em 8 de outubro.

Um dos principais assuntos do futuro encontro será o programa nuclear da Coreia do Norte, cujo regime tem proximidade com a China. O governo norte-coreano anunciou na semana passada que está enriquecendo urânio, o que lhe daria um segundo caminho para desenvolver bombas atômicas - os primeiros artefatos do país eram de plutônio.

Yukio Hatoyama, líder do Partido Democrático que deve ser aclamado como premiê em 16 de setembro, já causou boa impressão em seus vizinhos ao dizer que não visitará o templo Yasukini, em Tóquio, que homenageia vítimas de guerra e é considerado por outros países como um símbolo do passado militarista japonês.

No ano passado, o então premiê Taro Aso recebeu em Tóquio o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, e o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, para uma primeira cúpula trilateral, e eles concordaram em repetir o encontro anualmente.

As relações de Tóquio com seus dois vizinhos tradicionalmente são marcadas pelas lembranças de guerras e rivalidades, mas os sorrisos na cúpula do ano passado salientam uma era de cooperação, se não de amizade, entre os três países, que juntos respondem por três quartos da economia da região e por dois terços do comércio.

(Reportagem de Emma Graham-Harrison)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG