Com fim da trégua em Gaza, Israel pensa em como responder a ataques

Antonio Pita. Jerusalém, 21 dez (EFE) - O Governo israelense se mostrou hoje dividido perante a alternativa de lançar uma operação militar em massa em Gaza ou limitar-se a bombardeios pontuais, após o fim do cessar-fogo com o movimento islâmico Hamas. Na primeira reunião do conselho semanal de ministros desde o fim da trégua na Faixa de Gaza na sexta-feira passada, os membros do Executivo culparam uns aos outros pela atual situação. Nos últimos três dias, as milícias palestinas lançaram mais de 40 foguetes artesanais e bombas. Hoje, um imigrante tailandês ficou levemente ferido em Israel com os estilhaços de uma bomba que explodiu quando ele trabalhava na estufa de um kibutz próximo à Gaza. O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, iniciou o encontro com um discurso que deixava em aberto todas as opções: Um Governo responsável não tem ânsia de ir à guerra, mas também não elimina essa possibilidade. As hipóteses, os planos e a determinação estão claras, assim como as ramificações de cada um dos passos, afirmou. Outros membros do Executivo, como o vice-primeiro-ministro Haim Ramon e o ministro de Transportes, Shaul Mofaz, criticaram o que consideram uma falta de atuação do titular da Defesa, Ehud Barak. É hora de atuar. O que estamos esperando? O que mais tem que acontecer? Esperamos que alguma criança morra ou alguém fique ferido?, questionou Mofaz perante os microfones da rádio militar.

EFE |

Em público, Barak e Olmert pediram moderação a seus colegas.

"Não lutarei com as vozes histéricas", disse o primeiro-ministro, que chegou a um acordo com Barak na quinta-feira passada para intensificar a resposta militar, segundo um alto comando do Exército citado hoje pelo jornal "Yedioth Ahronoth".

A diplomacia israelense preparará agora o terreno nas principais capitais mundiais para uma operação militar de grande escala na Faixa de Gaza, disse uma fonte governamental ao jornal.

O debate sobre o lançamento ou não de uma incursão em massa em Gaza se vê condicionado pela proximidade das eleições legislativas, que serão realizadas em 10 de fevereiro.

O líder do partido da direita nacionalista Likud e favorito nas eleições, o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, defende uma invasão terrestre deste território, controlado pelo Hamas desde junho de 2007.

Já a líder do Kadima, a ministra de Relações Exteriores, Tzipi Livni, pede para "derrubar o regime do Hamas em Gaza" por meios "militares, econômicos e diplomáticos".

Por outro lado, Barak, líder do Partido Trabalhista, apela para sua experiência acumulada como condecorado militar e aposta no trunfo da moderação para conquistar os votos do eleitorado menos belicista.

Israel ainda não fez uma operação de grande escala pela ausência de garantias de que isso interromperá o lançamento de projéteis, a deterioração de sua imagem internacional e as baixas entre seus soldados e civis.

O chefe da agência de inteligência interior (Shin Bet), Yuval Diskin, advertiu hoje de que, com os foguetes, o Hamas pode alcançar cidades como Ashdod e Be'er Sheva, situadas a cerca de 30 ou 40 quilômetros de Gaza e completamente alheias a esta ameaça.

No entanto, o principal obstáculo de partir para a guerra tem nome e sobrenome: Gilad Shalit.

Este jovem cabo franco-israelense se encontra preso em Gaza desde que, em junho de 2006, foi capturado por três grupos armados palestinos, entre eles a milícia do Hamas, que chegaram a Israel por um túnel subterrâneo.

Em troca de sua libertação, o Hamas pede que mil dos 11 mil palestinos em prisões israelenses sejam libertados, uma exigência que Israel considera excessiva.

O próprio Barak reconheceu em mais de uma ocasião que não houve o lançamento de uma operação terrestre porque colocaria em risco a vida de Shalit.

As outras opções do Estado judeu são fazer concessões ao Hamas para prorrogar a trégua ou manter o atual 'status quo' de ataques aéreos pontuais contra os lançadores de foguetes, como o que no sábado matou um membro das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, o braço armado do Fatah. EFE ap/ab/db

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