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O presidente da China, Hu Jintao, expressou neste domingo seu desejo de que o encontro entre os emissários do Dalai Lama e autoridades chinesas na cidade de Shenzhen (sul), traga resultados positivos, quase dois meses depois dos sangrentos distúrbios no Tibete.

"Espero que desse encontro saiam resultados positivos", disse Hu, citado pela agência japonesa Jiji, às vésperas de uma visita oficial ao Japão, onde ficará de 6 a 10 de maio - será a segunda viagem na história de um chefe de Estado chinês ao Japão e a primeira em mais de dez anos.

Enquanto isso, começaram em Shenzhen as conversações a portas fechadas entre os dois enviados do Dalai Lama - Lodi Gyaltsen Gyari e Kelsang Gyaltsen - e autoridades chinesas sobre a crise no Tibete, informou neste domingo o primeiro-ministro do governo tibetano no exílio, sem dar mais detalhes.

"As conversações começaram nesta manhã. Eles (os emissários) voltarão para a Índia na terça ou quarta-feira", declarou à AFP Samdhong Rinpoche, em Dharamsala, cidade do norte da Índia onde se estabeleceu a sede do governo tibetano no exílio.

O conteúdo das conversações só será divulgado "após sua volta", acrescentou.

Pequim ofereceu retomar o diálogo com representantes do líder espiritual tibetano em abril, após uma série de manifestações contra a repressão chinesa no Tibete durante o percurso mundial da tocha olímpica, principalmente em Londres, Paris e São Francisco.

No dia 10 de março, aniversário da revolta anti-China de 1959, começaram em Lhasa protestos contra a autoridade de Pequim na região autônoma do Himalaia. Quatro dias depois, as manifestações se extenderam a outras regiões chinesas e geraram um grande conflito entre os defensores da causa tibetana e as forças de segurança chinesas.

Mais de 200 pessoas morreram nos enfrentamentos, segundo o governo tibetano no exílio, enquanto Pequim acusou os "agitadores" tibetanos de ter causado 20 mortes.

A oferta de Pequim, em aparente sinal de abertura, contrasta com as duras críticas publicadas nos últimos dias na imprensa oficial chinesa, que acusavam o Dalai Lama de querer sabotar os Jogos Olímpicos.

A viagem dos emissários do Dalai Lama é a primeira reunião - conhecida e feita pública - entre representantes chineses e tibetanos nos últimos dez meses.

Pequim e o governo tibetano no exílio negociam oficialmente desde 2002, mas a China endureceu sua posição em 2006, segundo o Dalai Lama. Os últimos contatos oficiais entre as duas partes aconteceram entre junho e julho de 2007.

De todo modo, as conversações atuais não serão "um sétimo ciclo de negociações, mas apenas consultas informais", estimou na sexta-feira Samdhong Rinpoche.

"Não haverá discussões sobre temas fundamentais das relações entre China e Tibete (...). As condições para isso não estão reunidas ainda, devido à atual situação no Tibete", afirmou o primeiro-ministro tibetano no sábado.

Neste domingo, o porta-voz tibetano Thubten Samphel disse que a prioridade do encontro é "o fim da repressão e a suspensão das restrições contra os tibetanos".

"Nossos enviados transmitirão estas preocupações e farão sugestões sobre como reestabelecer a paz",concluiu.

Neste domingo, autoridades chinesas e a delegação especial de emissários do Dalai Lama concordaram em manter novas reuniões após o encontro, embora não tenha sido anunciada nenhuma data, informou a agência oficial de notícias Xinhua.

"Autoridades do governo central chinês e representates do Dalai Lama concordaram em realizar outra rodada de contatos e consultas no momento apropriado", segundo a agência Xinhua.

bur-kma/ap

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