MADRI - Profundamente emocionada, a colombiana Ingrid Betancourt fez um apelo na sexta-feira, durante a cerimônia de entrega dos Prêmios Príncipe das Astúrias, contra a resignação e a indiferença. O evento ocorreu na cidade espanhola de Oviedo, e Betancourt foi o grande destaque da noite.

Depois de receber o Prêmio de Concórdia e de definir o evento como o "mais maravilhoso dos compromissos", Betancourt falou sobre seus mais de seis anos de cativeiro nas selvas colombianas, quando viveu sob o poder da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

A ex-candidata à Presidência colombiana também agradeceu a Deus por causa dos esforços feitos em nome de sua libertação pelos príncipes, pelo rei e pelo governo da Espanha.

Betancourt proferiu palavras de alento para seus "irmãos de cativeiro" que continuam reféns, pedindo ao mesmo tempo que o mundo reflita profundamente a respeito da situação deles e que os ajude.

"Acima de tudo, não podemos nos resignar. Porque resignar-se é morrer um pouco, é não fazer uso da possibilidade de escolher, é aceitar o silêncio. A palavra, a mudança, precede a ação, prepara o caminho, abre as portas. Hoje, devemos mais do que nunca usar a voz para quebrar os grilhões", afirmou Betancourt em seu discurso.

"Claro que nosso mundo deve mudar e que cada um de nós deve acabar com a maldição da própria indiferença", acrescentou.

A Fundação Príncipe das Astúrias decidiu conceder o prêmio a Betancourt, que possui cidadania colombiana e francesa, por sua "força, dignidade e valentia" na hora de enfrentar seu sequestro.

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