Com cúpula, A.Latina e Caribe avançam em integração regional

Miriam Burgués. Costa do Sauípe (Bahia), 16 dez (EFE).- Os países da América Latina e do Caribe uniram hoje forças na abertura de sua primeira cúpula, com a pretensão de firmar as bases da integração regional e obter um maior destaque na cena mundial.

EFE |

"Queremos ser protagonistas e não meros espectadores nos teatros em que se decidem as perspectivas de bem-estar e prosperidade para nossos povos", afirmou Lula, na abertura da 1ª Cúpula da América Latina e do Caribe, em Costa do Sauípe, na Bahia.

Aos chefes de Estado e de Governo participantes, Lula ressaltou: "Só superaremos os desafios da integração e do desenvolvimento se assumirmos nossa vocação latino-americana e caribenha".

O presidente referiu-se concretamente à crise internacional e reiterou que os países da região não são os culpados pelos problemas que, nos últimos meses, afetaram os mercados financeiros e que se estenderam à economia real no mundo todo.

"Em meio a uma crise internacional sem precedentes, nossos países não são parte do problema, podem e devem ser parte da solução", destacou.

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, alertou sobre as graves repercussões da crise para os povos da América Latina, mas destacou que a situação oferece a oportunidade de impulsionar o destaque na cena mundial da região.

A América Latina e o Caribe enfrentam o desafio de unir forças e se fazer escutar com uma só voz, assinalou Bachelet, que propôs estabelecer um mecanismo de concertação regional para as reuniões do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) e das Nações Unidas.

Para o chefe de Estado cubano, Raúl Castro, que estreou como governante em reuniões no exterior e cujo discurso era um dos mais esperados, a cúpula tem uma "inquestionável transcendência".

Raúl agradeceu hoje a decisão da América Latina e do Caribe de condenar o embargo dos Estados Unidos a seu país e ofereceu a "modesta" ajuda da ilha caribenha à integração regional.

Em um discurso breve, de menos de dez minutos atendendo a um pedido do anfitrião Lula, o governante venezuelano, Hugo Chávez, propôs criar uma comissão de especialistas latino-americanos para definir uma estratégia que permita aproveitar os recursos regionais frente à crise internacional.

"Em plena crise devemos ser capazes de avançar em direção a uma organização da América Latina e do Caribe com bases políticas, econômicas e ideológicas", ressaltou o presidente mexicano, Felipe Calderón.

Também se referiu à crise o chefe de Estado dominicano, Leonel Fernández, que pediu que sejam estabelecidas "condições" para os contratos futuros de matérias-primas, como o petróleo e os alimentos.

De acordo com o presidente paraguaio, Fernando Lugo, "os países que mais prosperaram têm maiores obrigações de construir o novo paradigma que enfrentará os efeitos da maior crise financeira mundial".

Já o presidente guatemalteco, Álvaro Colom, analisou as repercussões sociais da crise e reiterou a necessidade da integração para fazer frente a problemas comuns como o crime organizado, a crise alimentícia, a marginalização dos indígenas e a imigração.

Sem dúvida, o discurso mais intenso do dia foi o do presidente nicaragüense, Daniel Ortega, que, como de praxe em seus atos, arremeteu contra a "tirania do capitalismo" e a política "depredadora" do "império ianque e europeu".

Ortega dedicou quase todo seu discurso a criticar os EUA e a União Européia (UE) por suas recentes decisões de cancelar parte da ajuda que concedem à Nicarágua, devido aos "descumprimentos" do Governo sandinista. EFE mb/rr

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