Com crise e golpe, PIB de Honduras encolhe 2% em 2009

Por Gustavo Palencia TEGUCIGALPA (Reuters) - A economia de Honduras contraiu 2 por cento em 2009, pior resultado desde 1999, por causa da instabilidade política causada pelo golpe de Estado e da crise econômica mundial, disse na segunda-feira a ministra de Economia do governo de facto, Gabriela Núñez.

Reuters |

Ela previu para este ano um crescimento de quase 2 por cento, à medida em que o país recuperar a ajuda internacional, cancelada quase por completo por causa do golpe que derrubou o presidente Manuel Zelaya, em junho.

"As cifras preliminares indicam uma contração próxima de 2 por cento para o ano de 2009, e para 2010 esperamos um retorno ao crescimento de pelo menos 2 por cento", disse a ministra à Reuters.

A pior contração recente do PIB em Honduras foi de 1,9 por cento, em 1999, refletindo a devastação provocada pelo furacão Mitch, que causou prejuízos estimados em cerca de 5 bilhões de dólares no país.

A ministra disse que o presidente eleito de Honduras, Porfirio Lobo, que toma posse no dia 27, receberá o país em uma situação financeira "muito difícil".

"Estamos perante um problema econômico causado pelo jogo da democracia e pelos desequilíbrios da economia internacional", disse Gabriela Núñez.

Mesmo antes do golpe, a economia hondurenha já se ressentia da recessão norte-americana por causa da redução da demanda por importações e das remessas financeiras de emigrantes hondurenhos nos EUA.

A ministra hondurenha disse que o déficit fiscal crônico se agravou em 2009, alcançando 4 por cento do PIB, segundo cálculos preliminares. O resultado, pior desde 2004, também foi causado pelo corte na ajuda internacional.

País mais pobre das Américas depois do Haiti e da Nicarágua, Honduras havia crescido 4 por cento em 2008 e 6 por cento nos dois anos anteriores.

Lobo e o governo de facto esperam que, com o novo governo, que é reconhecido pelos EUA, mas não pelo Brasil e outros países latino-americanos, haja uma retomada da ajuda e dos empréstimos internacionais.

A dívida pública interna passou de 670 milhões de dólares no final de 2008 para 1,178 bilhão de dólares um ano depois, devido ao aumento dos gastos em conta corrente e da queda na arrecadação fiscal.

Gabriela Núñez disse que o novo governo terá de renegociar títulos públicos com vencimento em 2010, ou contrair uma dívida externa de longo prazo para aliviar a pressão sobre as finanças nacionais.

Nesta segunda-feira o Itamaraty informou ter enviado uma missão diplomática ao México, República Dominicana e El Salvador para discutir quais as impressões das autoridades desses países sobre situação em Honduras. O grupo deve voltar ao Brasil daqui a sete dias.

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