Com autobiografia, Bush tenta voltar à cena pública

Em entrevista na TV, ex-presidente defende medidas polêmicas de seu governo e diz que, a princípio, não quis invadir o Iraque

iG São Paulo |

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O livro de George W. Bush, "Decision Points"
Após dois anos de silêncio, o ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush volta à cena pública com o lançamento de sua autobiografia, "Decision Points", que chega nesta terça-feira às livrarias americanas.

Na noite de segunda-feira, Bush concedeu sua primeira entrevista na televisão desde que deixou a Casa Branca. Em conversa com o jornalista Matt Lauer, da rede NBC, Bush defendeu algumas das decisões mais polêmicas de seu governo, como o uso do chamado "waterboarding", técnica de interrogação que simula o afogamento.

"Vou dizer uma coisa: o uso daquelas técnicas salvou vidas", afirmou Bush. "Meu trabalho era proteger a América, e eu protegi."

O ex-presidente afirmou, ainda, que seu conselheiro para assuntos jurídicos havia dito que a prática de simulação de afogamento em prisioneiros de Guantánamo era legal. "Ele disse que isso não era coberto pela lei anti-tortura. Eu não sou advogado, mas você tem que confiar no julgamento das pessoas ao seu redor e eu confio", disse Bush.

Iraque

Durante a entrevista, Bush afirmou que, a princípio, foi contra a invasão americana no Iraque, atuando como "voz dissidente" dentro de seu governo. O ex-presidente disse que foi convencido a usar a força, mas negou que tenha sido influenciado pelo então vice-presidente Dick Cheney. "Era eu quem decidia quando atacar", afirmou.

No livro, o ex-presidente diz ter uma "sensação de enjoo" a cada vez que pensa sobre o fracasso em encontrar armas de destruição em massa no Iraque, depois da invasão de 2003 que tirou Saddam Hussein do poder. Na entrevista, o jornalista perguntou se ele alguma vez pensou em pedir desculpas ao povo americano.

"Pedir desculpas seria basicamente dizer que aquela foi uma decisão errada. E eu não acredito que tenha sido uma decisão errada", respondeu Bush.

'Sucesso'

Para promover o livro, Bush participará nesta terça-feira do programa da apresentadora americana Oprah Winfrey, que nas eleições de 2008 apoiou publicamente o então candidato do Partido Democrata, Barack Obama, contra o candidato republicano, John McCain, apoiado por Bush. O ex-presidente também será entrevistado pelos apresentadores conservadores Rush Limbaugh, Sean Hannity e Bill O'Reilly.

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Próxima aparição de Bush na TV americana será nesta terça-feira, no programa de Oprah Winfrey (foto da gravação em 28/10)

Desde que deixou o poder, Bush, 64 anos, passou a maior parte do tempo em sua casa no Texas. Na entrevista exibida na noite de segunda-feira, o jornalista Matt Lauer perguntou o motivo de o presidente desaparecer da mídia após o fim do mandato. Bush respondeu que "não queria se expor mais". "Não queria voltar para o que eu chamo de 'o pântano'", afirmou.

Segundo o ex-presidente, ainda pode demorar um pouco até que a história seja capaz de julgar seu período na Presidência. "Espero ser considerado um sucesso", disse Bush. "Mas eu vou estar morto, Matt, quando eles finalmente perceberem."

Com AFP e BBC

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