Com apoio latino, Brasil defenderá reformas e mais créditos em reunião do G20

Rio de Janeiro, 1º abr (EFE).- A reforma dos órgãos financeiros internacionais, um maior controle de capitais e a manutenção dos créditos para economias menos desenvolvidas serão as bandeiras brasileiras e da América Latina amanhã na Cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes).

EFE |

Representarão a região no encontro, além do Brasil, Argentina e México, países que também começam a sentir os efeitos da atual crise. Porém, embora os três tenham pontos de vista similares sobre o que deve mudar no sistema financeiro internacional, não irão a Londres com uma proposta conjunta.

Em discurso no último dia do mês de março, durante uma cúpula que reuniu líderes da América do Sul e dos Países Árabes (Aspa), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que os emergentes levem uma mensagem "forte e clara" à reunião do G20: a defesa do papel do Estado frente à crise global.

Após uma reunião com a presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, no mês passado em São Paulo, Lula destacou que o compromisso do Brasil no G20 "é com a Argentina e com o G5", que é formado por Brasil, México, China, Índia e África do Sul.

Na 1ª Cúpula da América Latina e do Caribe, realizada em dezembro passado na Costa do Sauípe, na Bahia, os 33 países participantes acordaram a criação de um grupo de trabalho para elaborar propostas contra a crise, mas até agora a iniciativa não saiu do papel.

Apesar da ausência de uma proposta conjunta para a reunião do G20, Brasil, México e Argentina coincidem ao afirmar que a crise deixou evidente a necessidade de mudanças no sistema financeiro e, em particular, nos organismos multilaterais de crédito.

A presidente argentina declarou em São Paulo, após a reunião com Lula há algumas semanas, que essas instituições "necessitam de uma reforma profunda, pois é preocupante sua grande desorientação e a falta de respostas".

Assegurou também que "o G20 pode ser um incentivo para ver se elas têm flexibilidade para admitir que o mundo mudou".

Donos de economias emergentes, os líderes latino-americanos reivindicam mais voz e voto no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial (BM), o que, porém, também forçaria a região a aumentar suas contribuições financeiras aos dois órgãos internacionais.

Da mesma forma, Brasil, Argentina e México destacam a necessidade de manter abertas as torneiras de crédito para evitar suspensão nos investimentos.

A presidente argentina declarou que o FMI e o BM "terão de se transformar em um instrumento de financiamento, sem condicionamentos, fundamentalmente para as economias emergentes, responsáveis por três quartos do crescimento da economia mundial".

À luz dos estragos que a crise causou em suas economias, especialmente no emprego e nas exportações, os três países latino-americanos afirmarão que o protecionismo comercial não deve ser usado como argumento para enfrentar o mau tempo.

"Precisamos deixar claro que o protecionismo pode ajudar momentaneamente, mas que, no médio prazo, será um desastre para a economia mundial", garantiu Lula em meados de março, antes de viajar aos Estados Unidos para se reunir com o presidente Barack Obama.

No entanto, a crise obrigou a Argentina a impor formas não automáticas para a importação de cerca de 200 produtos, alguns deles procedentes do Brasil, o que causou mal-estar no setor empresarial brasileiro, mas sem prejudicar as boas relações políticas entre Lula e Cristina.

O que todos têm claro é que a crise evidenciou a urgência de uma conclusão das negociações da Rodada de Doha para a liberalização do comércio mundial, travadas desde meados do ano passado e que, segundo Lula, é uma saída para a situação atual e uma forma de "ajudar os países mais pobres a vender seus produtos aos ricos".

Cristina defenderá também em Londres a supressão dos paraísos fiscais, na mira também de alguns países da União Europeia (UE) que trabalham inclusive com a possibilidade de impor sanções a esses territórios.

A chefe de Estado disse que seu país pedirá que se "regule definitivamente em nível global o sistema financeiro e o movimento de capitais", que atualmente beneficia aos países centrais.

"Com a piora da crise, os investidores retiram dinheiro dos países emergentes e o aplicam em países desenvolvidos (...) Isso prejudica as exportações dos EUA e as importações dos emergentes", resumiu o ministro da Fazenda, Guido Mantega. EFE joc/fr/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG