Com 9 ausências de peso, ONU aprova documento contra racismo

Genebra, 21 abr (EFE).- O documento oficial da Conferência Mundial sobre o Racismo da ONU foi aprovado hoje por todos os países-membros do órgão, à exceção dos nove que boicotaram a reunião por desconfiar que ela teria um caráter antissemita.

EFE |

Estados Unidos, Israel, Alemanha, Holanda, Polônia, Itália, Austrália, Nova Zelândia e Canadá não assinaram o texto final, que foi adotado hoje, no segundo dia da reunião que vai até sexta-feira.

O documento teve o respaldo de todos os outros países, inclusive Irã, apesar de ele fazer menção especial ao Holocausto judeu e cujo presidente, Mahmoud Ahmadinejad, causou polêmica ontem, ao chamar Israel de "regime racista".

"Estou muito feliz. A adoção do documento é o resultado de longas negociações", disse a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navy Pillay, em entrevista coletiva.

Ela destacou o fato de o documento ter sido adotado sem nenhuma mudança na minuta de projeto que havia sido estipulado na sexta-feira, após incessantes debates entre países islâmicos e ocidentais.

Finalmente, os primeiros cederam em seus principais pretensões, entre elas a de incluir a "difamação de religiões" entre as formas de racismo, ideia plenamente rejeitada pelos ocidentais em prol de defender a liberdade de expressão.

Hoje, Navy Pillay quis ressaltar este ponto ao destacar que o texto não contém nenhuma referência a esse assunto.

Ela também negou que algum país tenha tentado retomar este ponto para sua aprovação, citando concretamente o Irã em resposta à pergunta de um jornalista.

Além disso, foi mantido o parágrafo 66 do documento, afirmando que "o Holocausto nunca deve ser esquecido, e nesse contexto se conclamam os Estados-membros a cumprir as resoluções 60/7 e 61/255 da Assembleia Geral".

Nesse aspecto, o serviço de informação das Nações Unidas emitiu hoje uma retificação sobre a referência feita ontem ao Holocausto pelo presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, no discurso que pronunciou e que provocou a indignação de Israel, dos países europeus e do próprio secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon.

Segundo a nova versão, Ahmadinejad não pronunciou a frase que figurava na cópia do discurso proporcionada pela Embaixada do Irã, "a questão ambígua e duvidosa do Holocausto", mas disse que "depois da Segunda Guerra Mundial, sob pretexto do sofrimento dos judeus e 'abusando' da questão do Holocausto".

O discurso do presidente iraniano havia provocado a saída coordenada da sala dos embaixadores europeus, mas hoje, os 23 países da União Europeia (UE) que participam da Conferência assinaram sem objeções o texto.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos negou hoje que a aprovação do documento oficial, logo no segundo dia de sessões se devesse ao medo de novas deserções depois do escândalo criado pelo discurso fortemente anti-israelense de Ahmadinejad, pois a República Tcheca decidiu abandonar o fórum ontem à noite.

"Não houve nenhum temor de novas retiradas. O documento foi adotado porque o comitê encarregado disso encerrou seus trabalhos", ressaltou.

Navy Pillay destacou que o documento "volta a reforçar o compromisso político de lutar contra toda forma de racismo", mas lamentou que desde a primeira conferência de 2001 "a situação de muitos grupos vulneráveis não só não melhorou como ainda piorou".

Entre as principais razões para isso citou "a pobreza, que está intimamente relacionada ao racismo".

Entre os casos concretos de grupos afetados, há um parágrafo sobre os ciganos, o que Yuri Boychenko, diplomata russo que conseguiu finalizar o projeto de resolução na semana passada, atribuiu a "uma situação muito específica na Europa".

Por outro lado, outras referências a situações concretas, como a ocupação dos territórios palestinos por Israel, foram eliminadas das negociações.

A Conferência seguirá até sexta-feira como estava previsto e, embora no último dia os países possam fazer declarações individuais, o documento aprovado já não pode ser modificado. EFE vh/jp

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