Com 60,32% dos votos apurados, opositor tem vantagem de 51,8% nas eleições do Chile

Com 60,32% dos votos apurados, os primeiros resultados oficiais das eleições presidenciais do Chile indicam que o candidato oposicionista, Sebastián Piñera, da Coalición por el Cambio (Frente para a Mudança), lidera com 51,8% dos votos, enquanto o candidato governista, Eduardo Frei, da Concertación, tem 48,1%.

iG São Paulo |

A votação para as eleições presidenciais do Chile terminaram às 16 horas locais (17 horas em Brasília) e os primeiros resultados oficiais começaram a ser divulgados às 18 horas (19 horas em Brasília).

Os dois candidatos que disputaram o segundo turno se disseram confiantes na vitória após depositarem seus votos nas urnas.

Reuters
Sebastián Piñera sorri ao votar neste domingo

Sebastián Piñera sorri ao votar neste domingo

O ex-senador, empresário bilionário e opositor Piñera disse que mais tarde "haverá uma grande festa" e que "virão tempos melhores para o Chile".

O ex-presidente Eduardo Frei (1994-2000) também acredita na conquista da presidência e disse que será "o sucessor de Michelle Bachelet por vontade popular".

Mas se os candidatos esperam uma festa no final do dia, os chilenos não se demonstraram tão animados com relação ao pleito.

Os primeiros dados oficiais, ainda fragmentados, indicam que o comparecimento às urnas poderia repetir o registrado no primeiro turno, quando quase um milhão de eleitores não compareceram às urnas - um índice considerado por analistas, já que o voto é obrigatório no país após a inscrição na Justiça Eleitoral.

Reuters
Eduardo Frei também se disse confiante da vitória
Eduardo Frei também se disse confiante da vitória
Disputa
Se for eleito, Piñera será o primeiro representante da direita (ou centro-direita, como ele se define) a ser eleito presidente desde 1958. Em contrapartida, se Frei sair vitorioso, ele será o quinto presidente consecutivo da frente de centro-esquerda Concertación, que está no poder há 20 anos, desde o retorno da democracia.

As últimas pesquisas de opinião do instituto Adimark indicaram favoritismo de 5% para Piñera. Já de acordo com o instituto Equipos Mori, haveria empate técnico, com 1,8% de vantagem para o candidato da oposição.

Apesar da disputa acirrada, os eleitores argumentam com precisão a escolha dos candidatos. Enquanto Piñera é relacionado por muitos eleitores com a mudança, Frei representaria, para muitos chilenos, uma continuidade do governo de Bachelet, que conta com alto índice de aprovação.

"Nós queremos um país com decisões mais ágeis, melhor administrado, menos burocrático e com nova geração de políticos. Por isso, votei em Piñera. A Concertación já passou", disse o empresário Jorge Blaeassinger, de 63 anos, que votou no bairro Brasil, no centro da cidade.

A telefonista Valéria Villalon, de 28 anos, mãe solteira, de duas filhas, afirmou que votou em Frei porque aprova a gestão da presidente Michelle Bachelet.

"Como mãe solteira, posso deixar minha filha de um ano numa creche enquanto estou trabalhando. Também tenho direito a dois planos sociais que correspondem a cada filho. Além disso, sei que a direita foi péssima para nosso país. Basta lembrar o que (Augusto) Pinochet fez", disse.

Bachelet conta com alto índice de apoio popular (80%). Dados oficiais indicam que, em quatro anos de mandato, a presidente conseguiu triplicar a quantidade de creches na áreas carentes e intensificou a distribuição de planos sociais para os mais pobres, com atenção específica para as mães solteiras.

Médica e socialista, ela passará a faixa presidencial no dia 11 de março ao presidente eleito neste domingo.

Mudança
O regime de Pinochet durou de 1973 a 1990. A ditadura começou após o bombardeio do Palácio Presidencial, em 1973, quando o presidente socialista Salvador Allende estava no prédio, e durou até a eleição de Patrício Alwin, da Concertación, em 1990.

Agora, segundo diferentes analistas, esta frente, cujos principais partidos são a Democracia Cristiana (DC) e o Partido Socialista, deverá se "reinventar", seja qual for o resultado deste domingo.

"A Concertación tem o desafio de se refazer e ouvir a mensagem das urnas", disse o analista Ricardo Israel, da Universidade Autônoma.

É a primeira vez, desde sua fundação, que a Concertación chega a uma eleição com resultado tão apertado.

"O Chile avançou muito com a Concertación. Melhorou muito nas áreas econômica e social. Mas existe ainda, pelo menos uma falha, que é a do sistema eleitoral, herança do regime Pinochet", disse à BBC Brasil o porta-voz da campanha de Frei e senador eleito pela Concertación, Ricardo Lagos Weber.

O governo Bachelet mandou um projeto ao Congresso Nacional para modificar as regras atuais e tentar atrair os jovens, ainda pouco interessados nas eleições. A proposta prevê que, ao completarem 18 anos, os jovens estejam automaticamente inscritos para votar, o que não ocorre hoje.
*Com informações de EFE e BBC
Leia mais sobre Chile

    Leia tudo sobre: chileeleições

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG