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Colunista do Financial Times critica suave política externa do Brasil

Londres, 20 abr (EFE).- O Brasil desenvolve uma política externa suave que pode diluir-se com o tempo se continuar se aproximando de países como a Venezuela, Irã e Cuba, atitude que coloca em risco o desejo de Brasília ser uma potência diplomática, segundo um colunista do jornal Financial Times.

EFE |

A afirmação de John-Paul Rathbone em artigo publicado hoje expõe a opinião "dos críticos" da política externa brasileira, os que definem o trabalho diplomático como "narcisista e inocente".

Rathbone enumera uma série de "incoveniências" que terminaram com a imagem de lua-de-mel oferecida pela política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Cita a posição de Lula sobre a morte do dissidente cubano Orlando Zapata após a greve de fome, as críticas à Colômbia por seus acordos militares com os Estados Unidos, enquanto esquece que a Venezuela apoia às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e parabeniza o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, por vitória nas urnas.

Todas estas posições fazem parte "do que os críticos consideram uma política do mosquito grande", escreve Rathbone, quem dúvida que por este caminho o Brasil vá ter condições, como outros países poderosos, de proteger seus interesses no mundo.

O articulista destaca a boa preparação do corpo diplomático brasileiro na hora de negociar. Ressalta, no entanto, que é preciso uma rede de informação de países como os EUA e a Rússia e, por esta razão, "inevitavelmente o país cometeu erros" nos últimos anos.

Esta política coloca em perigo os esforços do Brasil para ser membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, argumenta Rathbone, quem assinala que estas atitudes transformam o país em "um gigante político, que moralmente é um pigmeu".

O colunista toma esta definição de Moisés Naím, diretor da revista "Foreign Policy", para explicar como que com esta atitude é difícil para o Brasil falar com as grandes potências.

"Muitos pensam que se o Brasil quer sentar-se à mesa principal terá de tomar decisões difíceis", assinala Rathbone, que adverte que a situação pode se complicar a partir das eleições de outubro com um novo chefe do Estado.

"Brasil terá que dar um jeito sem a ajuda do encantamento do senhor Lula da Silva. Sua imagem de império suave pode não perdurar", conclui. EFE fpb/dm

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