Milhares de colonos israelenses residentes na Cisjordânia protestaram nesta quarta-feira em Jerusalém contra a decisão do governo de Israel de congelar temporariamente a construção de novas casas em assentamentos dos territórios ocupados. Os colonos fizeram a manifestação em frente à residência do primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, no centro de Jerusalém, portando cartazes com os slogans quebrar o congelamento, continuar a construção e entrada proibida para os fiscais de Bibi (apelido de Netanyahu).

Um dos oradores na manifestação, Gershon Messica, líder dos colonos moradores no norte da Cisjordânia, se dirigiu ao primeiro-ministro com as palavras "Bibi, antes que seja tarde, cancele o ato não-sionista. Bibi, construiremos o pais com ou sem você e lembre-se de que a terra de Israel não perdoa quem a prejudica".

A frase foi uma alusão ao ex-primeiro-ministro Ariel Sharon, que teve um derrame cerebral depois que ordenou a retirada israelense da Faixa de Gaza.

Negociações
Messica também anunciou que os milhares de manifestantes exigem o fim da "ordem racista que proíbe judeus de construir suas casas na terra de Israel", referindo-se ao território que os palestinos desejam usar para a criação de seu futuro Estado.

De acordo com Netanyahu, o objetivo do congelamento seria possibilitar a retomada das negociações de paz com os palestinos.

Porém, porta-vozes da Autoridade Palestina afirmaram que a decisão, anunciada há uma semana por Netanyahu, "não é suficiente" para possibilitar a retomada das negociacões, pois não inclui a suspensão das construções israelenses em Jerusalém Oriental, reivindicada como capital de um futuro Estado Palestino.

Já o ONG Paz Agora afirma que o congelamento não existe de fato.

Segundo Yariv Oppenheimer, diretor da ONG, "os colonos reclamam de barriga cheia e quem é verdadeiramente lesado são os cidadãos israelenses que moram dentro das fronteiras de Israel".

De acordo com dados publicados pela Paz Agora, o governo já deu autorização para que 3,5 mil casas sejam construídas durante o período de dez meses nos quais a construção nos assentamentos da Cisjordânia deverá ser congelada.

Segundo os cálculos da ONG, apesar do congelamento, nesse período serão construídas na Cisjordânia 1.167 casas para cada 100 mil colonos (atualmente há 300 mil colonos israelenses na Cisjordânia).

No mesmo período, dentro de Israel esta programada a construção de apenas 836 casas para cada cem mil habitantes.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.