Netanyahu condenou o ataque de grupo de extrema direita que atirou pedras contra comandantes e vandalizou veículos militares

Um grupo de cerca de 50 colonos judeus e ativistas de extrema direita atacou uma base militar israelense na Cisjordânia nesta madrugada atirando pedras, queimando pneus e destruindo veículos militares, informaram autoridades nesta terça-feira.

Leia também: Israel fecha rampa de acesso à Esplanada das Mesquitas

No ataque, cerca de 50 colonos vandalizaram veículos do Exército com tintas e jogaram pedras em um comandante, que não ficou seriamente ferido, informou um comunicado. Segundo o porta-voz da polícia, Micky Rosenfeld, as tropas dispersaram os extremistas e duas pessoas foram detidas.

De acordo com a imprensa local, o ataque foi uma resposta à intenção do Exército israelense de desmantelar um assentamento judeu em cumprimento de uma sentença do Tribunal Supremo do país. Nos últimos anos, alguns colonos atacaram militares e propriedades palestinas em represália à ação do governo contra os assentamentos ilegais.

O premiê Benjamin Netanyahu condenou o ataque e ordenou que as forças seguranças "agissem agressivamente contra aqueles que estão ferindo os soldados israelenses e seus comandantes", informou um comunicado enviado pelo seu gabinete.

O ministro da Defesa Ehud Barak qualificou os dois incedentes como "terroristas" e disse que eles "ameaçam denegrir as delicadas relações de Israel com seus vizinhos."

Horas antes do ataque à base, um outro grupo ocupou um prédio abandonado em uma zona militar na fronteira com a Jordânia. O Exército e a polícia israelense contiveram o grupo, porém alguns conseguiram cortar a cerca protetora e entrar em uma igreja no lugar conhecido como Qasr el Yahud, onde acredita-se que Jesus foi batizado.

Os radicais declararam à mídia que sua ação teve como objetivo enviar uma mensagem à Jordânia para que fique longe dos assuntos relacionados ao Monte do Templo, nome com o qual os judeus denominam a Esplanada das Mesquitas. Israel fechou o acesso a esse lugar por motivos de segurança, o que gerou protestos entre os palestinos, visto que é um local sagrado para judeus e muçulmanos.

A Jordânia faz o papel de supervisora dos pontos sagrados muçulmanos da cidade, com especial ênfase na Esplanada das Mesquitas, em virtude do acordo de paz assinado pelo Estado judeu em 1994. Autoridades jordanianas afirmam que os israelenses não atravessaram a fronteira do seu país.

Os líderes dos colonos condenaram os dois ataques. Dani Dayan, que chefia um dos grupos, disse que os responsáveis "deveriam mudar, e, se não, eles devem ser presos e julgados".

Os incidentes foram um sinal da crescente audácia dos extremistas judeus, que têm realizado demonstrações de ódio contra as tropas de seu próprio país. Cerca de 300 mil colonos judeus vivem na Cisjordânia em meio a 2,5 milhões de palestinos. Outros 200 mil moram em Jerusalém Oriental.

Israel conquistou os dois territórios da Jordânia durante a Guerra de 1967 e anexou Jerusalém Oriental pouco depois, em uma ação que não é reconhecida internacionalmente. Palestinos vêm os territórios como parte de seu futuro Estado, que incluiria também a Faixa de Gaza, governada pelo grupo militante Hamas.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, criticou Israel por sua expansão no assentamento de Efrat, na Cisjordânia. Ban disse que Israel deve congelar essas construções dizendo que são "contrárias à lei internacional" e prejudicam as tentativas de alcançar um acordo de paz.

Com EFE e AP

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.