Os líderes dos colonos israelenses na Cisjordânia anunciaram que vão combater a decisão do governo de congelar parcialmente e temporariamente a construção de novas casas nos assentamentos no território palestino. Nesta terça-feira, colonos expulsaram fiscais que levavam ordens de suspensão de construções ao assentamento de Kiriat Arba, perto de Hebron.

De acordo com o anúncio do Conselho da Judeia e Samaria (nome bíblico para a Cisjordânia), o orgão que representa os colonos israelenses, a decisão do governo de congelar a construção é "desumana, imoral e antissionista".

"Vamos continuar a construção do país com ou sem o governo", anunciaram os líderes dos colonos. "A decisão do governo prejudica os direitos básicos de mais de 300 mil israelenses que moram em Judeia e Samaria e promove a criação de um Estado palestino no coração da terra de Israel".

O Conselho dos colonos decidiu impedir a entrada dos fiscais do governo na área dos assentamentos e combater o congelamento por meios políticos e ações diretas.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tinha dito que o objetivo do congelamento é facilitar a retomada das negociações com os palestinos e "demonstrar que Israel quer a paz".

Porém, os lideres da Autoridade Palestina já afirmaram que o congelamento anunciado na Cisjordânia "não é suficiente" para levá-los de volta à mesa de negociações, pois não inclui a suspensão de construções em Jerusalém Oriental, a qual eles reivindicam como capital de um futuro Estado Palestino.

Divisão
Analistas ouvidos pela BBC Brasil estão divididos sobre o significado da decisão do governo israelense e sobre o impacto que o congelamento pode ter nas negociações futuras.

Segundo o cientista político da Universidade de Bar Ilan, Jonathan Rynhold, o principais objetivos do premiê Netanyahu com o congelamento são se colocar em uma posição de centro na política israelense e atrair o apoio da maioria do público, satisfazer o governo de Barack Obama, que pressionou Israel para suspender a construção nos territórios ocupados, e isolar os colonos mais radicais.

"Netanyahu é muito cético quanto à vontade e a capacidade dos palestinos de chegar a um acordo de paz", disse Rynhold, "e quer demonstrar que Israel não é obstáculo para avanço do processo de paz, mas sim os palestinos", acrescentou.

O cientista politico manifestou otimismo quanto à possibilidade de retomada das negociações.

"Acho que esse congelamento vai contribuir para a volta à mesa das negociações, talvez não imediatamente, mas quando o governo começar a remover assentamentos ilegais, os palestinos vão voltar a negociar", afirmou.

Já o jornalista Gideon Levy, do jornal Haaretz, disse à BBC Brasil, que considera "tudo isso um teatro".

"Tanto os colonos como Netanyahu sabem muito bem que a construção na Cisjordânia vai continuar", afirmou Levy.

"Nessa dança de mascarados cada um faz o seu papel, tudo isso é ridículo do começo ao fim."
De acordo com Levy, o congelamento parcial dos assentamentos não levará os palestinos de volta à mesa das negociações, porém "se o governo americano pressioná-los, eles serão praticamente obrigados a voltar a negociar".

"O único objetivo de Netanyahu é contentar os americanos e diminuir a pressão do governo Obama sobre Israel. Trata-se de uma paz com os Estados Unidos e não com os palestinos", concluiu Levy.

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