estado de calamidade pública diante de crise de fome no país - Mundo - iG" /

Colón declara estado de calamidade pública diante de crise de fome no país

Guatemala, 8 set (EFE).- O presidente da Guatemala, Álvaro Colón, declarou hoje estado de calamidade pública no país para enfrentar a severa crise alimentícia que afeta a mais de 54 mil famílias pobres deste país e já matou mais de 25 crianças.

EFE |

"Isso nos permitirá ter acesso a recursos de cooperação internacional que se oferecem generosamente para este tipo de situações, assim como a mobilizar recursos do orçamento nacional com maior agilidade", disse Colón em mensagem à Nação transmitida em cadeia de rádio e televisão.

Guatemala, disse o líder, "viveu com altos e vergonhosos índices de pobreza, extrema pobreza e desnutrição durante décadas, provocado por uma longa história de desigualdade".

Essas situações, agravadas por "as secas derivadas da mudança climática" e por "efeitos da crise econômica internacional", foram, segundo Colón, "a causa da crise alimentícia e nutricional que o país está vivendo na atualidade".

Mais de 54 mil famílias pobres, habitantes do denominado "corredor seco" do leste e nordeste da Guatemala, foram declaradas em estado crítico pela falta de alimentos para subsistir, devido à perda de suas colheitas de milho e feijões, base da dieta da população local.

Outras 300 mil famílias habitantes dessa zona correm perigo de sofre a mesma situação pelas mesmas causas.

"Alimentos há, o que não há são recursos financeiros para que os afetados comprem os alimentos disponíveis", lamentou o governante, que destacou que as ações que o Governo realizou nas zonas afetadas por meio dos programas de combate à pobreza, "permitiram evitar que a problemática chegasse a níveis mais graves".

O presidente esclareceu que o "estado de calamidade pública" foi declarado em nível nacional porque "as consequências da insuficiência alimentícia e nutricional não afetarão somente à região do corredor seco, mas ao conjunto do país".

Esta medida, segundo a legislação guatemalteca, facilita ao Governo agilizar a compra de alimentos e insumos de urgência, sem necessidade de cumprir com os requisitos de licitação pública que ordena a lei, para agilizar a entrega destes às comunidades afetadas.

"Somos sensíveis à pobreza, a extrema pobreza e a desnutrição e por isso estamos realizando as ações de emergência necessárias e tomaremos outras medidas para enfrentar a desnutrição e a pobreza históricas e estruturais", assegurou o líder.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas iniciou hoje a distribuição em massa de cerca de 20 toneladas de "biscoitos nutritivos" nas comunidades mais afetadas pela crise alimentícia.

Estes biscoitos complementarão as bolsas de alimentos básicos que o Governo começou a distribuir há duas semanas às 54 mil famílias afetadas pela crise.

Segundo números oficiais, este ano morreram 25 crianças em consequência da desnutrição crônica provocada pela fome.

No entanto, a Secretaria de Segurança Alimentaria da Presidência reconheceu que a quantidade de crianças mortas pela fome poderia ser "muito superior" às estatísticas oficiais e que a falta de dados específicos se deve a que o Sistema Nacional de Saúde não conta com instrumentos confiáveis para determinar falecimentos provocados por desnutrição.

Um relatório do Ministério guatemalteco de Saúde, divulgado na terça-feira pela imprensa local, assinala que nos primeiros oito meses deste ano faleceram 462 pessoas, entre elas 54 crianças, como consequência de diversos problemas provocados pela desnutrição crônica. EFE qual/fk

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG