Colombianos votam pela continuidade e consagram maioria a partido de Uribe

BOGOTÁ - Os colombianos optaram pela continuidade nas eleições legislativas deste domingo ao votarem pela vitória do Partido Social da Unidade Nacional (Partido do U) - liderado pelo presidente Álvaro Uribe -, que manterá a maioria no Congresso pelo terceiro período consecutivo.

EFE |

Com 75,56% das urnas apuradas, o Partido do U havia obtido 20,7% dos votos, seguido de perto pelo Partido Conservador, com 18,5%. Os quase 2,5 mil candidatos registrados concorrem a 102 cadeiras no Senado e a 166 na Câmara dos Representantes da Colômbia.

A vitória governista representa um respaldo às políticas de Uribe dos últimos oito anos, desde que em 2002 ele chegou ao poder e impôs sua Política de Segurança Democrática voltada à luta militar contra as guerrilhas e a insegurança pública.

A poucos meses das eleições presidenciais de 30 de maio, o ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos, candidato do Partido do U à Presidência e favorito de Uribe, recebeu neste domingo um aval para se manter com passo firme na corrida eleitoral rumo à chefia do Estado.

"São resultados excepcionais. A votação de nosso partido cresceu mais de 70%. Esses resultados nos consolidam novamente como a principal e maior força política de nossa nação", disse Santos em entrevista coletiva após a confirmação da vitória governista.

Para ele, o pleito significou "um voto de apoio às políticas do presidente Uribe e um pedido para se manter trabalhando por sua continuidade e melhoramento", ressaltando que seu partido obteve mais de 2,5 milhões de votos.

"Os colombianos querem avançar, e não retroceder. Os colombianos querem continuar com o progresso que conseguimos nos últimos oito anos", declarou Santos, entre os aplausos de seus seguidores.

Santos foi ovacionado como 'homem forte do U', já que seu mentor, Uribe, que está concluindo o segundo mandato como presidente, ficou de fora das próximas eleições para Presidência. Ele bem que tentou, mas a Corte Constitucional colombiana rejeitou a possibilidade de estender o número de mandatos presidenciais.

No entanto, esses resultados demonstram que não haverá candidato presidencial com maioria absoluta dos votos nas eleições presidenciais de 30 de maio, o que indica um provável segundo turno a ser realizado em 20 de junho.

O Partido Conservador, aliado do Governo Uribe, ficou em segundo lugar no pleito de ontem, por uma margem relativamente estreita, o que leva o Partido do U a cogitar uma nova aliança dos dois partidos.

O terceiro lugar foi para o Partido Liberal, com 13,8% dos votos, mas a surpresa foi a futura quarta força no Congresso: o Partido de Integração Nacional (PIN).

Esse controverso partido foi criado em 2009 depois que a autoridade eleitoral proibiu a participação nas eleições de ontem a outros partidos envolvidos na chamada "parapolítica", escândalo pelo qual um terço dos legisladores escolhidos em 2006 foram investigados, presos ou condenados por relações com paramilitares.

O PIN é formado por parentes, amigos e aliados dos congressistas envolvidos no escândalo, a grande maioria deles próxima a Uribe.

Conforme a apuração, eles poderiam ter até quatro cadeiras no Parlamento.

Na sequência, está o partido Mudança Radical, criado pelo dissidente liberal e candidato à Presidência Germán Vargas Lleras, com 6,5% dos votos, e o esquerdista Polo Democrático Alternativo (PDA), que obteve 6,3% dos votos.

O dia de eleições ontem transcorreu em relativa calma. No entanto, houve várias denúncias de irregularidades especialmente por compra de votos e incidentes isolados como a explosão de um carro-bomba no departamento de Antioquia, que provocou a morte de um homem, aparentemente guerrilheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Além disso, um caminhão carregado de explosivos foi apreendido no departamento de Arauca, na fronteira com a Venezuela, assim como diversos armamentos foram confiscados em Nariño, região vizinha ao Equador.

Em algumas regiões, faltou transporte para que os eleitores pudessem comparecer às urnas.

A votação também foi um pouco confusa, porque muitos eleitores tiveram dificuldades ao usar as cédulas eleitorais. Para votar, eles tinham de memorizar e ter certeza de qual era o número dos candidatos favoritos (entre os quase 2,5 mil), pois não apareciam seus nomes nem suas fotografias.

No fim das contas, para o líder do Partido do U, Juan Manuel Santos, "essas foram as eleições mais seguras e de maior cobertura institucional em toda nossa história". EFE erm/sa

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