Colombianos vão às urnas para escolher sucessor de Uribe

Candidato governista, Juan Manuel Santos, e opositor Antanas Mockus, estão tecnicamente empatados, segundo as pesquisas

iG São Paulo |

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Candidato presidencial colombiano Antanas Mockus, do Partido Verde, fala em rádio montada em sua sede de campanha em Bogotá (29/05/2010)
Quase 30 milhões de colombianos foram convocados neste domingo às urnas para escolher o sucessor de Álvaro Uribe na presidência da Colômbia, com Juan Manuel Santos , candidato governista, e Antanas Mockus , do Partido Verde, como favoritos e tecnicamente empatados, segundo as pesquisas.

Como o voto é facultativo, os dois pediram na véspera aos cidadãos que votem nas eleições mais disputadas da história recente da Colômbia. Espera-se que o índice de abstenção seja inferior à média de 50% registrada nas eleições anteriores. Os resultados serão divulgados a partir das 20h (22h em Brasília).

A votação ocorre em meio a grandes medidas de segurança, com as Forças Militares e a Polícia Nacional em alerta máximo em todo o país, com o desdobramento de mais de 350 mil soldados que buscam resistir a qualquer tentativa de atentado por parte das guerrilhas.

Embora a véspera eleitoral tenha sido tranquila na capital, pelo menos dois menores morreram no Departamento (Estado) de Cauca quando, no transcurso de um confronto com militares, guerrilheiros lançaram uma bomba contra uma casa do povoado de El Prateado.

Além de Mochus e Santos, também concorrem nas eleições deste domingo outros sete candidatos: Robinson Devia, do Movimento A Voz da Consciência; Rafael Pardo, do Partido Liberal; Jaime Araújo, da Aliança Social Afrocolombiana; Jairo Enrique Calderón, da Abertura Liberal; Gustavo Petro, do Polo Democrático Alternativo; Germán Vargas, da Mudança Radical; e Noemí Sanín, do Partido Conservador.

Segundo as últimas pesquisas de intenções de voto, haveria um empate técnico entre Mockus e Santos, indicando que o sucessor de Uribe deve ser escolhido em um segundo turno, previsto para 20 de junho – o que não ocorre há 12 anos.

Promessas de campanha

Santos e Mockus prometeram dar continuidade à política de segurança de Uribe, atacar o desemprego de 12%, um dos mais altos da América Latina, reduzir o déficit fiscal de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) e promover reformas sociais.

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Funcionária caminha ao longo de máquinas de votação em seção eleitoral de Bogotá (29/05/2010)

O candidato governista representa a continuidade do governo Uribe – que modificou a Constituição para candidatar-se à reeleição imediata, a primeira na história democrática do país – e conta com o apoio da máquina do Estado. Santos disse que pretende ser recordado como o presidente “que deu trabalho aos colombianos”.

Em meio a escândalos de corrupção e de envolvimento de políticos com paramilitares, Mockus se apresenta como o candidato que governará na legalidade e combaterá a corrupção. É o preferido dos jovens eleitores jovens e o favorito nos grandes centros urbanos.

"Se trata da decisão de continuar o esquema de Uribe, segurança e mão dura acima de tudo e guerra contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e aqueles que consideram que a prioridade é resolver temas relacionados à corrupção, desemprego e saúde", afirmou à BBC Brasil o analista político Camilo González, diretor da Fundação Indepaz.

“Há um esgotamento do projeto uribista para uma terça parte da população que é abertamente favorável a outro candidato, e outra terça parte continua leal ao presidente e tende a votar pelo candidato do governo. O percentual restante é que decidirá as eleições", acrescentou.

Uribe entregará a seu sucessor um país mais seguro que há oitos anos, porém com 20 milhões de pobres, em uma população de 44 milhões, com 3,5 milhões de pessoas vítimas de deslocamento forçado em consequência do conflito armado e com uma crise de credibilidade institucional.

Suspeitas de fraude

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Candidato presidencial Juan Manuel Santos, do Partido de La U, cumprimenta jornalistas antes de coletiva em Bogotá (29/05/2010)
A suspeita de uma fraude eleitoral existe. Dois dias antes do pleito, Santos foi visto em um restaurante com o presidente do sindicato da Registradoria colombiana, o equivalente ao Fórum Eleitoral, responsável pela contagem dos votos. O voto na Colômbia é manual.

O encontro provocou reações dos demais candidatos que questionaram a finalidade da reunião. Por meio de assessores, Santos disse ter expressado a necessidade de que trabalhadores da entidade se comprometessem a garantir eleições com “a maior eficiência possível e com absoluta transparência".

O diretor do Fórum Eleitoral, Carlos Sanchez, por sua vez, não descartou a possibilidade de fraude na contagem dos votos. "Por mais esforços (que se faça), não se pode evitar a fraude. É uma conduta humana difícil de controlar", afirmou Sanchez em entrevista à revista Semana.

"O que sim devemos garantir é um sistema que permita descobrir (a fraude) para que não seja consumada", acrescentou.

*Com EFE e BBC

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