Centenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de mais de mil cidades da Colômbia neste domingo para pedir a libertação de reféns que ainda estão em poder das guerrilhas colombianas. Em meio às 50 mil pessoas que se reuniram na Praça Bolívar, em Bogotá, o eletricista Ernesto Alonso Gomez disse ver na manifestação uma forma de pressionar a guerrilha e ao mesmo tempo mandar uma mensagem aos reféns de que eles não estão sozinhos.

Ele disse apoair a política do presidente Álvaro Uribe. "A saída para o conflito é militar. Com a guerrilha não tem como negociar", disse Gomez, vestindo uma camiseta em que se lia "Rompamos as correntes da indiferença. Não mais seqüestros".

Outras mensagens "Liberem todos" e "Paz para a Colômbia" estampavam camisetas dos manifestantes. Muitos simplesmente usavam branco para simbolizar o seu desejo pela paz.

Ao contrário do eletricista, a comerciante Sonia Hernandes, que foi à marcha com o marido e os três filhos, disse acreditar que o conflito civil na Colômbia só pode ser resolvido pela negociação.

"Não acredito que a via armada seja o caminho para conquistar a paz", disse Sonia. "Com o novo chefe da guerrila, está mais próxima uma negociação entre governo e guerrilha. Com (Manuel) Marulanda (líder das Farc, morto no início do ano), não era possível."
Sonia acredita que as marchas podem "conscientizar os colombianos do conflito".

A população respondeu em peso aos chamados dos meios de comunicação para participar dos atos, marcados no dia que a Colômbia comemora o aniversário da sua independência.

Os atos começaram cedo, por volta de 9h do horário local, e muitos deles foram acompanhados de shows musicais. Segundo o governo colombiano, mais de mil artistas participaram das manifestações.

Outros 40 países organizaram shows e manifestações pela liberação dos reféns.

Betancourt
Em Paris, a ex-refém e ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt pediu ao líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Alfonso Cano, que liberte todos os reféns em poder da guerrilha.

Betancourt ainda pediu que as Farc aceitem negociar o fim do conflito armado com a deposição das armas.

A franco-colombiana leu os nomes de vários reféns capturados pelos rebeldes e pediu que eles sejam libertados diante de milhares de pessoas aglomeradas em frente à Torre Eiffel.

"Não mais seqüestros, Alfonso Cano. Aonde o senhor se encontre, em qualquer lugar da selva, veja esta Colômbia, olha a mão estendida do presidente (Alvaro) Uribe," disse Betancourt, que liderou uma das mobilizações globais contra os seqüestros praticados pelas Farc.

Betancourt, seqüestrada durante mais seis anos, foi resgatada pelo Exército colombiano no dia 2 de julho com mais outros 14 reféns que eram mantidos em poder dos rebeldes.

A ex-refém, que disse não ter participado das manifestações na Colômbia por questões de segurança, disse que a liberdade dos reféns se tornou "uma obsessão".

Lula
Na cidade de Letícia, na fronteira com o Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antes de embarcar para Brasília, participou da celebração oficial do Dia da Independência da Colômbia, que também acabou se convertendo também em uma manifestação de rechaço à prática de seqüestros pela guerrilha.

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, agradeceu a "compenetração" da comunidade internacional e voltou a relacionar a necessidade de acabar com o conflito interno para atrair investimentos a seu país.

"O esforço do povo colombiano, de nossos heróis da força pública, este país tem que seguir adiante para ser um país sem terrorismo, sem seqüestro, sem droga, com investimento, com fraternidade, com prosperidade social", afirmou Uribe, pouco antes do desfile militar.

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