Colombianos tomam as ruas pelo fim da violência das Farc

Colombianos de dezenas de cidades no mundo marcharam pela libertação dos civis sequestrados; presidente também aderiu ao protesto

iG São Paulo |

AP
Mulher segura camiseta contra as Farc durante marcha contra os sequestros na cidade de Cali, Colômbia
Indignados com a execução de quatro reféns pela guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (Farc), os colombianos tomaram nesta terça-feira as ruas de várias cidades do país e do mundo para pedir liberdade aos 11 civis sequestrados e exigir o fim da violência praticada pelos grupos armados ilegais.

Conforme o cofundador da Organização Colombia Soy Yo, Carlos Andrés Santiago, espera-se que a manifestação incentive dez milhões de colombianos a participar do movimento. "Além dos pontos oficiais de concentração nas principais cidades, chamamos os cidadãos de todos os municípios para que saiam às praças, que se concentrem nas ruas", disse.

Leia também: Colombianos preparam marcha contra as Farc

O representante da organização explicou que a iniciativa se consolidou "no dia em que as Farc assassinaram de maneira covarde quatro membros da polícia e foram seus familiares que se mobilizaram para organizar essas passeatas".

Para Santiago, "a sociedade colombiana não pode deixar de cobrar os atos das Farc" do dia 26 de novembro, quando os policiais Edgar Yesid Duarte Valero, Elkin Hernández Rivas e Álvaro Moreno, assim como o sargento do Exército José Líbio Martínez, sequestrados a mais de dez anos, foram assassinados por seus sequestradores no meio de uma operação militar.

No site do grupo que organizou o megaprotesto, estão estabelecidos os pontos de encontro das cidades colombianas de Bogotá, Cartagena, Medellín, Barranquilla, Santa Marta, Valledupar, Bucaramanga, Cúcuta, Yopal, Tunja, Villavicencio, Cali, Ibagué, Florença, Pasto, Armenia, Pereira e Manizales.

Além disso, estão convocados os colombianos e demais simpatizantes com a mobilização que residam nas cidades americanas de Washington, Nova York, Miami e Boston, assim como nas capitais do México, Canadá, Panamá, Peru, Argentina, Irlanda e Espanha. "A mensagem dessas organizações está centrada na exigência da liberdade imediata e incondicional de policiais, militares e civis" em poder das Farc, declarou.

'Há desejo de paz'

O presidente colombiano, Juán Manuel Santos, se juntou aos manifestantes na tarde desta terça-feira. Ele aderiu à passeata do município colombiano de Villeta, onde caminhou junto aos manifestantes para protestar contra o conflito armado de quase meio século vivido pelo país.

"Exigimos já a libertação desses 11 heróis da pátria que continuam sequestrados nas mãos das Farc. Essa (passeata) é uma forma de expressar nosso sentimento no dia de hoje, de dizer: 'libertem-nos já', incondicional, como uma demonstração de que realmente há desejo de paz", disse o presidente.

Em resposta às especulações de que o Estado está interessado em estender essa guerra, Santos disse que nem o governo nem as Forças Armadas têm o desejo de manter esta dinâmica. "Quero dizer que todos unidos, como cidadãos colombianos, estamos comprometidos com a paz neste país. E queremos nos expressar a favor desta paz, contra o sequestro, para que libertem os reféns e possamos nos voltar para o futuro com mais otimismo e esperança", concluiu o presidente.

O presidente enfrenta uma crescente pressão dos colombianos para dar fim ao conflito que já matou dezenas de milhares de pessoas nas últimas décadas. Responsável por alguns dos mais duros golpes sofridos pelas Farc ao longo da sua história, incluindo a morte do dirigente Alfonso Cano no mês passado, Santos manifesta a disposição de negociar a paz caso os rebeldes marxistas entreguem suas armas e parem de cometer atentados e sequestros.

As Farc rejeitam a exigência, mas Cano sugeriu, antes de ser morto, que o diálogo era a única solução.

Helicópteros sobrevoaram Bogotá e houve um buzinaço nas ruas, enquanto colombianos vestidos de branco faziam uma passeata até a principal praça da cidade, segurando fotos dos homens assassinados e gritando: "Basta de guerra! Sim à vida, sim à paz."

"Já toleramos bastante as Farc", disse o engenheiro Ruben Castano, que tirou um dia de folga para participar do protesto. "Santos, é hora de acabar com isso."



Violência

Na noite de segunda-feira, uma explosão de um caminhão-bomba em Maicao, no departamento de La Guarija, na fronteira da Colômbia com a Venezuela, ocorrida na noite desta segunda-feira, deixou dois mortos e 14 feridos.

O atentado foi praticado perto de um posto policial. "Uma criança e um adulto morreram", afirmou à Agência Efe um funcionário da prefeitura local.

A fonte disse ainda que a explosão deixou sete policiais e sete civis feridos. Além disso, boa parte do quartel da Polícia Nacional e várias casas foram danificadas.

Os responsáveis pelo crime ainda não foram identificados. Maicao pertence a uma zona comercial livre de impostos e no local vivem integrantes das Farc e grupos de narcotraficantes.

Com EFE

    Leia tudo sobre: colômbiafarcprotestomarchabogotáeuaeuropaespanhairlanda

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG