Colombianos se mobilizam para exigir libertação de seqüestrados

Bogotá, 20 jul (EFE) - A Colômbia se mobilizou hoje pela terceira vez em cinco meses para exigir aos grupos armados ilegais e às quadrilhas criminosas que libertem as milhares de pessoas que mantêm seqüestradas. A frase Libertem já uniu os milhões de colombianos que, segundo o prefeito de Bogotá, o esquerdista Samuel Moreno, aderiram a esta jornada nas 32 capitais departamentais e outros 1.070 municípios do país.

EFE |

Pelos cálculos do comandante da Polícia Metropolitana local, general Rodolfo Palomino, pelo menos um milhão deles, em sete passeatas pelo mesmo número de estradas, tomaram as ruas da capital colombiana vestidos com camisetas brancas, lançando balões ao ar e gritando "liberdade, liberdade, liberdade".

O desdobramento popular em Bogotá, onde caminhou o vice-presidente do país, Francisco Santos, antigo refém dos traficantes de drogas, contrastou com o simbolismo da jornada na cidade amazônica de Leticia, aonde viajou o presidente Álvaro Uribe para comemorar o Dia da Independência Nacional.

"Que este 20 de julho una todos os colombianos no amor à pátria, no desejo de liberdade", pediu Uribe desde Leticia, cidade situada 1.085 quilômetros ao sudeste da capital colombiana na fronteira com Brasil e Peru.

Por convite de Uribe, também se deslocaram à capital selvática o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o chefe de Estado do Peru, Alan García, assim como a cantora colombiana Shakira, que abriu os atos cantando à capela o Hino Nacional.

"Estou feliz de fazer parte deste dia histórico para todos os colombianos, que nos unimos, diria, na maior manifestação que tivemos em nossa história comum", declarou a artista pop.

Em Leticia, Uribe também enviou "uma mensagem de compromisso com aqueles que perderam a liberdade, para que a recuperem".

São 3.500 as pessoas que, segundo a Fundação Nova Esperança (privada), estão seqüestrados no país, mais de 700 delas pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que tem 25 em condição de "passíveis de troca" por 500 insurgentes presos, incluindo três extraditados aos Estados Unidos.

Neste grupo de "passíveis de troca" estavam os 15 reféns resgatados em 2 de julho pelo Exército na chamada "Operação Xeque", lançada no Guaviare, departamento nas selvas do sudeste do país.

A ex-candidata presidencial franco-colombiana Ingrid Betancourt, três americanos, e 11 militares e policiais colombianos formaram o grupo de resgatados, um dos quais propôs a realização da jornada de hoje, para manter viva a exigência de libertação dos antigos companheiros de cativeiro.

A iniciativa foi imediatamente amparada por outros ex-reféns e pelos mais diversos movimentos sociais e ONGs, que levaram às ruas as marés humanas que, com propósitos similares, se manifestaram em fevereiro e março.

Betancourt liderou hoje em Paris um ato com o mesmo fim, do qual participaram alguns artistas.

O prefeito de Bogotá agradeceu ao povo francês, em mensagem conjunta com seu colega de Paris, Bertrand Delanoë, pelo apoio e pelas manifestações realizadas em favor da liberdade de todos os seqüestrados na Colômbia.

Moreno, em contato direto através da rede de televisão colombiana "RCN" com Delanoë, explicou desde a Praça de Bolívar, a principal de Bogotá, onde uma parte dos manifestantes se reuniu, que "milhões de colombianos" se "mobilizaram" para solicitar a liberdade dos seqüestrados.

O prefeito lembrou que hoje se celebra o 198º aniversário do "grito da independência" na Colômbia, para ressaltar que "a independência não é absoluta se não houver liberdade que devolva a todos" e solicitou "a todos os que odeiam, seqüestram, que dêem um passo atrás".

A mobilização em massa de hoje "é um golpe tão importante quanto o golpe que demos há algumas semanas às Farc", afirmou desde Leticia o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, que destacou que esse é um ataque político, de rejeição, do povo aos rebeldes.

O ex-presidente liberal César Gaviria coincidiu com o funcionário ao enfatizar que "estas grandes expressões de cidadãos são isso, o desejo dos colombianos de viver em paz e de não aceitar nenhuma forma de justificativa para a violência".

O também ex-secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), que marchou pelo norte de Bogotá, sugeriu às Farc que "olhem a rejeição impressionante que as pessoas da Colômbia estão dando hoje ao seqüestro como arma política".

Este foi o sentido de uma mensagem lida ao término de todas as manifestações no país, que, ao meio-dia local, se enlaçou em um grande concerto nacional programado como ante-sala do bicentenário da Independência, em 2010.

"Queremos vivos, livres, em casa e em paz" os soldados, policiais, civis, congressistas e funcionários públicos seqüestrados, diz a nota. EFE jgh/db

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