Milhares de colombianos que caíram em golpes financeiros realizaram protestos violentos em nove cidades do país na quarta-feira. A polícia colombiana está investigando diversas empresas cujos diretores desapareceram nos últimos meses com o dinheiro de seus clientes.

As firmas financeiras promoviam "esquemas de pirâmide", em que pessoas depositavam dinheiro sob a promessa de receber lucros de até 150%.

Inicialmente, os pagamentos prometidos eram feitos aos clientes, encorajando novos depósitos. Mas depois de algum tempo, muitas empresas começaram a desaparecer com o dinheiro dos clientes, muitos de origem humilde e com pouca renda.

A polícia investiga uma possível relação entre o esquema de pirâmide e a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas.

O vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos, alertou a população para evitar esquemas de pirâmide.

"Quando alguém promete dobrar seu dinheiro em seis meses, eles estão tentando enganar vocês. Nada é de graça neste mundo e isso não vai mudar", disse o vice-presidente.

Bilhetes debochados
Na quarta-feira, milhares de clientes dessas empresas foram às ruas e chegaram a entrar em confronto com a polícia. A polícia teve de usar gás lacrimogêneo para controlar as multidões que invadiram as ruas.

Em Santander de Quilichao, os donos de uma empresa ligada aos golpes desapareceram e deixaram um bilhete na porta da financeira debochando dos clientes que foram enganados.

"Agora, por terem sido burros e acreditado em magia negra, vocês vão ter de trabalhar muito mais para recuperar o dinheiro que nos deram", dizia o recado.

Em outro escritório, os golpistas também deixaram um recado: "Nós desejamos um triste Natal e um vergonhoso Ano Novo".

Em Popayan, no departamento de Cuca, duas mil pessoas chegaram a invadir um escritório da financeira que aplicou o golpe. Em Pasto, no departamento de Narino, a televisão local mostrou imagens de clientes invadindo várias empresas.

Em Pereira, no departamento de Risaralda, a polícia prendeu dois homens que tentavam fugir de um escritório da empresa com uma mala cheia de dinheiro. Eles chegaram a oferecer uma das malas à polícia como suborno.

Acredita-se que eles sejam os responsáveis por um dos golpes. Segundo o correspondente da BBC em Medellín, os dois estão sob custódia em um lugar seguro, já que existe a ameaça de que possam ser linchados.

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