Colômbia tentará restabelecer laços com Venezuela, diz presidente

Presidentes reúnem-se em cidade colombiana para discutir relação bilateral após ruptura diplomática em julho

iG São Paulo |

O novo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos , afirmou nesta terça-feira que fará tudo para restabelecer as relações diplomáticas com a Venezuela, rompidas em julho após o governo do então presidente Álvaro Uribe denunciar perante a Organização de Estados Americanos (OEA) a presença de guerrilheiros das Farc em solo venezuelano .

A afirmação foi feita antes de Santos, que tomou posse no sábado, reunir-se na cidade colombiana de Santa Marta com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. A reunião começou no fim da tarde, depois de os líderes posarem juntos para fotógrafos. O encontro deve durar cerca de duas horas, de acordo com a imprensa colombiana.

© AP
Chávez e Santos se encontram em Santa Marta, na Colômbia

Santos desembarcou em Santa Marta às 12h30 locais (14h30 no horário de Brasília). "Faremos o que estiver em nosso alcance para restabelecer as relações diplomáticas sobre bases perduráveis", declarou. Santos chegou em um avião das Forças Armadas da Colômbia, que levava uma bandeira da Venezuela em uma das janelas. "Peço a Deus a ao Libertador que nos ilumine", declarou em referência a Simon Bolívar.

Chávez chegou à cidade às 13h10 (15h10 de Brasília). Mais cedo, por volta das 11h15 locais (13h15 no horário de Brasília), o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, também chegou ao local. Maduro e a sua colega colombiana, María Angela Holguín, participam da reunião entre os mandatários.

O ex-presidente argentino e secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), Néstor Kirchner, também está na cidade para o encontro.

Desde o dia 22 de julho passado, quando Bogotá denunciou à OEA que Caracas abrigava 87 acampamentos guerrilheiros, os laços diplomáticos entre as duas nações estão rompidos .

Fronteira

Um assessor venezuelano disse que um dos possíveis temas a ser abordados por Santos e Chávez é o controle fronteiriço, pivô da crise binacional. "A fronteira é o ponto fundamental e queremos discutir esses aspecto de maneira integral, pensando na segurança, no desenvolvimento social e econômico da fronteira", afirmou o assessor da chancelaria venezuelana.

"(O ex-presidente Álvaro ) Uribe não queria cooperação na fronteira. Se avançarmos nisso, será muito positivo", completou. Venezuela e Colômbia compartilham mais de 2 mil quilômetros de fronteira.

Mudança de rumo

O rápido acordo para o encontro de Santos e Chávez, três dias após a posse do novo presidente , é interpretado pelo historiador e analista político colombiano Jorge Melo como uma demonstração de que Santos quer "corrigir as falhas" do governo anterior, que passaram a ser alvo de críticas no país. "Muitos criticavam a polarização promovida por Uribe. Esse gesto mostra que Santos abandonou essa linguagem, é uma mudança dramática", afirmou Melo à BBC Brasil.

A seu ver, o encontro poderá propiciar canais permanentes de discussão para evitar novos conflitos, com base na cooperação. "Santos sabe que a guerra real da Colômbia é contra as Farc e não com a Venezuela", afirmou.

Para o historiador, foi "hábil" e "simbólica" a decisão do novo governo de indicar a casa onde Símon Bolívar morreu como lugar onde as relações diplomáticas entre Caracas e Bogotá poderão ser reatadas. "Bolívar é a figura central para o governo venezuelano, mas também foi o libertador da Colômbia. É um personagem que marca a união entre os dois países", afirmou.

*Com Ansa e BBC

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