Colômbia rejeita monitoramento da Unasul e reunião termina sem consenso

A reunião de ministros de Relações Exteriores e de Defesa da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) terminou sem consenso depois que a Colômbia rejeitou a proposta de que o bloco monitore as sete bases militares que serão utilizadas pelos Estados Unidos em seu território.

BBC Brasil |

O governo colombiano também se negou a revelar detalhes do acordo de cooperação firmado com Washington, principal ponto de discussão do encontro, realizado nesta terça-feira em Quito, no Equador.

AP
Postura colombiana irritou o ministro brasileiro Celso Amorim (centro)
Postura colombiana irritou o ministro brasileiro Celso Amorim (centro)


"Lamentavelmente não alcançamos soluções. Lamentamos a atitude da Colômbia, a intransigência de não querer tornar transparente o convênio sobre as bases militares", afirmou o chanceler da Bolívia, David Coquehuanca, ao deixar a reunião.

A apresentação do documento do acordo entre Bogotá e Washington e o acesso de membros do Conselho de Defesa às bases colombianas que serão usadas pelos Estados Unidos foi um pedido dos presidentes da Unasul durante a Cúpula realizada no mês passado em Bariloche, na Argentina.

Ao deixar a reunião desta terça-feira, o ministro de Defesa colombiano, Gabriel Silva Luján, disse que seu governo não pode apresentar o documento porque o acordo militar ainda não foi formalizado e está sendo discutido internamente.

A negativa da Colômbia em dar garantias aos demais países de que as atividades militares com os Estados Unidos se limitarão a seu território chegou a irritar o chanceler brasileiro, Celso Amorim.

"Se vocês estão dizendo que nos dão as garantias, por que não as escrevem?", questionou Amorim durante o debate com os demais chanceleres.

Venezuela

O acordo militar entre Bogotá e Washington tem sido motivo de tensão na região, em especial com a vizinha Venezuela, que diz sentir-se ameaçada pela presença militar americana em suas fronteiras.

O anúncio feito no domingo pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, de que a Rússia concordou em emprestar mais de US$ 2 bilhões para a Venezuela para a compra de armas aumentou ainda mais a tensão.

"Nós apresentaremos o acordo com os Estados Unidos uma vez que esteja firmado, mas que seja igual para todos. Que se apresentem convênios de compra de armamentos, transferência de tecnologia, etc. Inclusive os acordos com terceiros países", disse nesta terça-feira o ministro de Defesa colombiano.

Durante um dos intervalos da reunião, o ministro de Defesa e vice-presidente venezuelano, Ramón Carrizález, disse que a recusa de Bogotá em mostrar o acordo que será firmado com os Estados Unidos "causa preocupação".

"Não vimos nem letras grandes nem letras pequenas, e isso naturalmente gera preocupação sobre as verdadeiras cláusulas desse acordo", disse Carrizalez. "A Colômbia se nega a entregar a informação que daria uma linha de transparência e depois da transparência é que se podem gerar mecanismos de confiança."

Carrizáles afirmou ainda que seu governo está disposto a revelar aos demais países da região detalhes do acordo recém-firmado com a Rússia.

"Não temos nenhum impedimento em mostrar à Unasul todos os detalhes, porque a confiança começa pela transparência", afirmou.

O governo venezuelano anunciou a compra de 92 tanques e um sistema de lançamento de foguetes S-300 da Rússia.

Hillary Clinton

A aliança entre Caracas e Moscou preocupa o governo dos Estados Unidos, segundo a secretária de Estado, Hillary Clinton, para quem a aquisição de novas armas pode "incentivar uma corrida armamentista" na região. "Esperamos ver uma mudança de atitude por parte da Venezuela", disse a secretária americana.

O chanceler venezuelano, Nicolas Maduro, rejeitou as críticas de Washington, ao argumentar que o interesse de seu país em armar-se é o de defender a paz na região.

"A Venezuela está se equipando para garantir a paz e para defender nosso petróleo, nosso gás", afirmou Maduro em entrevista coletiva ao final da reunião.

Apesar do fracasso das discussões sobre o acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos, a Unasul concordou com uma série de medidas de cooperação na área de Defesa que, entre outros pontos, estabelecem o aumento da vigilância fronteiriça para combater a ação de grupos armados e prevê o intercâmbio "de informação transparente" sobre a compra de equipamentos e gastos em defesa realizadas pelos países membros.

Os ministros também concordaram em informar os vizinhos sobre atividades militares realizadas em seus territórios.

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