Colômbia quer empregar ex-rebeldes em retirada de minas

GENEBRA - A Colômbia deseja usar ex-rebeldes para retirar minas terrestres colocadas por eles próprios, e que seriam capazes de matar ou mutilar centenas de pessoas, disse o vice-presidente do país, Francisco Santos, nesta quinta-feira.

Reuters |

"O que lutaram cinco ou dez anos atrás e foram desmobilizados podem ajudar com a reconstrução. Isso passa uma boa mensagem," disse Santos numa entrevista coletiva em Genebra, onde participa de uma conferência sobre minas terrestres.

"Passará a mensagem de que aqueles que as colocaram lá podem ajudar a retirá-las."

O governo estima que 67 civis e militares tenham sido mortos por minas terrestres no primeiro semestre, na Colômbia, e que 306 pessoas tenham ficado feridas.

"A Colômbia é o país que ainda tem a maior quantidade de acidentes com minas terrestres no mundo," disse Santos.

O governo conservador de Álvaro Uribe vem recuperando continuamente territórios que estavam em poder das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), que usa as minas terrestres para proteger suas atividades de narcotráfico, segundo Santos.

O governo pretende até o final do ano ampliar de 240 para 360 o número de técnicos dedicados à retirada das minas, o que permitiria recuperar terras aráveis e reconstruir comunidades rurais há anos ameaçadas por esses explosivos.

A Colômbia será a sede da conferência que irá revisar o pacto internacional de 1999 que proíbe o uso, armazenamento, produção e transferência de minas terrestres. O tratado de Ottawa, ratificado por 156 nações - mas esnobada por EUA, Rússia e China - também estabelece prazos para a destruição dos estoques.

Bogotá já destruiu os estoques de minas do governo, exceto as que são usadas para treinamento militar, mas precisará de uma prorrogação do prazo de 2011 para eliminar também as minas dos rebeldes, disse o vice-presidente.

Ele afirmou ainda que será essencial que os países renovem seu compromisso contra as minas durante a Cúpula de Cartagena por um Mundo Sem Minas, que ocorrerá de 30 de novembro a 4 de dezembro.

Autoridades de todos os países - inclusive dos rivais Venezuela e Equador - serão recebidas "de braços abertos" na Colômbia durante esse evento, apesar dos atritos de ambos com o aliado dos EUA, disse Santos.

Muitos países signatários do tratado de Ottawa não estão cumprindo sua obrigação de ajudar a reabilitar pessoas feridas por essas armas, segundo relatório divulgado pela entidade belga Handicap International, na quarta-feira.

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