Fernando Muñoz. Bogotá, 27 ago (EFE).- O presidente colombiano, Álvaro Uribe, participa nesta sexta-feira da Cúpula da União de Nações Sul-americanas (Unasul), na Argentina, para explicar o acordo que negociou com os Estados Unidos sobre o uso de bases militares no país.

O chefe de Estado, porém, também quer que sejam discutidos na reunião outros pactos similares assinados na América Latina, assim como a corrida armamentista de alguns países vizinhos.

O acordo entre Bogotá e Washington, que permite a soldados e assessores americanos terem acesso a sete bases militares em solo colombiano para operações contra o tráfico de drogas e o terrorismo, concluiu sua fase de negociação em 14 de agosto e está à espera da assinatura final dos dois Governos.

Uribe confirmou a presença na cúpula da cidade argentina de Bariloche (sul), mas a condicionou a que também sejam discutidos outros acordos de cooperação militar que alguns países têm com nações de fora da região.

"Não vamos à Argentina para consultar sobre nada; o acordo já foi fechado", disse recentemente o ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Jaime Bermúdez, ao acrescentar que temas como o "armamentismo de certos vizinhos e o terrorismo" também devem estar na agenda da cúpula.

Uribe tomou a decisão de participar da cúpula extraordinária da Unasul após ter se recusado a estar presente na reunião do bloco realizada no começo de agosto no Equador, país com o qual a Colômbia não tem relações diplomáticas desde março de 2008.

Analistas consultados pela Agência Efe disseram que durante a reunião de Quito não houve um consenso para rejeitar o acordo entre Bogotá e Washington, em parte por causa da viagem que Uribe fez nos dias anteriores a sete países sul-americanos, entre eles o Brasil, para explicar o convênio.

"As explicações que o presidente colombiano deu sobre os alcances, os objetivos e a operação do acordo de cooperação com os EUA eliminaram muitas dúvidas e isso foi refletido na falta de consenso para condenar o acordo", ressaltou o diretor da Fundação Segurança e Democracia, Alfredo Rangel.

Ele explicou que, enquanto a Colômbia e os EUA estavam concluindo as negociações do convênio militar, funcionários do Governo do presidente Hugo Chávez se reuniam com delegados russos para fechar um acordo denominado "Estatuto da Comissão Intergovernamental Russo-Venezuelana para a Cooperação Técnico-Militar".

"Este acordo é secreto. E se desconhece a forma como regula a presença de militares russos em território venezuelano. Queria que Chávez tivesse um gesto recíproco ao de Uribe e explicasse à América do Sul os objetivos e o alcance desse acordo secreto e dos que está desenvolvendo com China e Irã", acrescentou.

Chávez criticou em várias ocasiões o acordo e anunciou neste domingo que levará à cúpula da Unasul um relatório militar americano com o qual poderá desarmar "as mentiras" que o Governo colombiano poderia apresentar.

O presidente venezuelano insistiu que um dos objetivos dessas bases é "aproximar" a Venezuela e, em última instância, controlar a faixa petrolífera do Orinoco, a maior reserva de hidrocarbonetos do mundo, e as reservas hídricas amazônicas.

Chávez e os presidentes do Equador, Rafael Correa, e da Bolívia, Evo Morales, são os mais críticos ao acordo, que também é criticado pela Argentina e pelo Brasil.

Já Chile, Paraguai, Peru e Uruguai manifestaram seu respeito ao convênio militar entre Colômbia e EUA.

Consciente da oposição regional ao acordo, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou na semana passada que "não diz respeito" a outros países e indicou que tem um "claro reconhecimento da soberania e integridade territorial" da Colômbia. EFE fer/db/rr

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