Colômbia: novos e-mails apontam ligações das Farc com campanha equatoriana

O número dois das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Raúl Reyes, manteve contato com supostos membros do governo de Rafael Correa, até duas semanas antes de sua morte pelo Exército Colombiano em seu acampamento no Equador, segundo e-mails divulgados nesta quarta-feira pela rádio RCN de Bogotá.

AFP |

A RCN divulgou trechos de pelo menos 20 e-mails trocados entre Reyes, o fundador e líder das Farc, Manuel Marulanda (mais conhecido como 'Tirofijo'), os membros do secretariado (diretoria) do grupo rebelde e a deputada equatoriana María Augusta Calle, (conhecida como Alicia').

Em 28 de fevereiro de 2008, horas antes de cair no bombardeio de militares colombianos, Reyes enviou um email para o secretariado resumindo sua conversa "recente" com um enviado de Correa.

Segundo este documento, que as autoridades colombianas dizem ter encontrado em um dos computadores recuperados após o ataque militar em 1º de março de 2008, Reyes disse que Correa "pede para conversar pessoalmente com o secretariado da guerrilha em Quito. Ele oferece garantias e transporte".

Em outros e-mails, nota-se como as Farc e a campanha presidencial de Rafael Correa se aproximaram em 2006, até que o grupo rebelde decidisse apoiá-la financeiramente.

Nesse sentido, Marulanda, em um e-mail enviado a Reyes, com data de 12 de outubro de 2006, informa vaque o "secretariado está de acordo em fornecer ajuda aos amigos do Equador".

"A minha proposta foi de 20.000 dólares. Jorge (Briceño) mais conhecido como 'Mono Jojoy', propõs 100.000 dólares e ofereceu 50.000 e me autorizou a consegui-los com Joaquín (Gómez) e fazê-los chegar até você", acrescentou o líder rebelde.

Dois dias depois, Reyes responde a Marulanda afirmando que falou com o coronel Jorge Brito, membro da equipe de campanha de Correa e com um médico de sobrenome Ayala, a quem comunicou a decisão de levar-lhe 100.000 dólares, segundo os e-mails divulgados pela RCN.

Em Quito, o presidente do Equador, Rafael Correa, disse nesta quarta-feira que as provas apresentadas pela Colômbia sobre seus supostos nexos com a guerrilha das Farc buscam caysar danos à sua "política soberana", e advertiu que o povo estará nas ruas para defender o governo desse "complô".

"As provas mostradas pela direita são as mesmas que vem urdindo desde que somos governo: supostas declarações através de vídeos, acusações falsas, depoimentos apócrifos, em suma, uma trama pré-fabricada para atingir a política soberana do Equador", disse Correa.

O presidente evitou fazer referência ao governo colombiano, embora associou o escândalo despertado pela divulgação de uma fita das Farc com "uma furiosa conspiração, um complô e uma maquinação perversa".

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