BOGOTÁ (Reuters) - O ministro colombiano da Defesa, Juan Manuel Santos, negou no domingo que seu país tenha realizado uma incursão militar em território da Venezuela, conforme denunciou o governo de Caracas, agravando a tensão bilateral. A Venezuela denunciou que a incursão de cerca de 60 soldados colombianos teria ocorrido na sexta-feira no distrito de Los Bancos, município de Páez, Estado de Apure. O governo de Hugo Chávez disse ter tratado o incidente como um ato de provocação.

'Não há incursão nenhuma. Nesse lugar há um rio muito caudaloso, e é praticamente impossível que tenha sucedido o que dizem que sucedeu', disse Santos.

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, havia prometido no sábado investigar o incidente, que provocou uma nota de protesto da chancelaria venezuelana. Uribe dissera também que seu governo faria um pedido de desculpas caso o incidente fosse confirmado.

As relações entre esses dois países vizinhos, que têm um multimilionário intercâmbio comercial, passam por seu pior momento em vários anos, desde que Bogotá acusou a Venezuela e o Equador de manterem relações com a guerrilha colombiana Farc.

Mas a crise entre Bogotá e Caracas já vinha desde 2007, quando Uribe afastou Chávez das tarefas de mediação que poderiam levar a guerrilha a soltar dezenas de reféns, inclusive a ex-candidata a presidente da Colômbia Ingrid Betancourt.

A situação se agravou em março deste ano, quando a Colômbia bombardeou um acampamento da guerrilha no território do Equador, matando um dirigente rebelde e pelo menos mais 24 pessoas. Indignado com a violação de sua soberania, o governo de Quito rompeu relações com Bogotá, e a Venezuela saiu em apoio do Equador.

Colômbia e Venezuela têm uma fronteira terrestre de 2.219 quilômetros, sem demarcação clara em vários trechos, o que frequentemente leva patrulhas militares a cruzarem inadvertidamente de um lado para outro.

No começo deste ano, militares da Colômbia encontraram uma patrulha venezuelana perdida na região chamada Guajira. Deram água e comida aos colegas e os entregaram a superiores junto à fronteira.

(Reportagem de Luis Jaime Acosta)

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