Colômbia não convidará Cuba para Cúpula das Américas

Governo cubano culpa Washington por exclusão de encontro regional e isolamento da ilha caribenha

iG São Paulo |

A Colômbia não convidará Cuba para participar da Cúpula das Américas, em Cartagena, nos dias 14 e 15 de abril. Depois de se reunir com o presidente cubano, Raúl Castro, o líder colombiano, Juan Manuel Santos, usou um tom diplomático para justificar a ausência do país caribenho na reunião regional.

“Conforme dissemos no início, trata-se de uma questão de consenso, um consenso que infelizmente não fomos capazes de alcançar”, disse Santos no Aeroporto Internacional de Havana, na noite de quarta-feira, antes de embarcar para a Colômbia.

AP
Em Cuba, Santos (C) esteve com Raúl Castro (E) e Hugo Chávez
“Deixamos claro para o presidente Castro que, apesar de realmente apreciarmos seu desejo em ser parte desse encontro, sob essas circunstâncias, sem ter atingido um consenso, é muito difícil estender o convite a ele”.

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Santos agradeceu a compreensão de Castro e sua intenção de não criar problemas para o encontro ou para a Colômbia, e disse ainda que respeita o desejo de outros países da região que pedem a participação de Cuba.

Em Cuba, o presidente colombiano também visitou o líder venezuelano, Hugo Chávez, que se recupera de uma cirurgia que na semana passada retirou um tumor cancerígeno.

Membros da Aliança Bolivariana para os Povos das Américas (Alba) pediram no mês passado que Cuba fosse incluída no encontro de Cartagena. A Colômbia, como país anfitrião, tem o poder de decisão final.

Washington, aliado de Bogotá, se opõe à inclusão de Cuba no encontro. A Cúpula das Américas é historicamente ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA), da qual Cuba foi banida em 1962. Apesar de sua suspensão ter sido cancelada em 2009, Cuba não pediu sua readmissão ao organismo.

Havana culpa Washington por ser excluída do encontro. Além disso, o chanceler cubano Bruno Rodríguez, disse que os EUA buscam manter a ilha isolada e fora da cúpula. Segundo o ministro cubano, não é suspresa a posição dos EUA em relação à participação de Cuba, dado ao passado das relações bilaterais entre os países. Trata-se de uma "crônica de uma exclusão anunciada", ao se referir ao livro do escritor colombiano Gabriel García Marquez "Crônica de uma Morte Anunciada".

Anteriormente, membros da Alba haviam ameaçado boicotar o encontro caso Cuba não participasse.

*Com AP

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