Colômbia investiga possível uso de símbolo do CICV em libertação de Ingrid

Bogotá, 16 jul (EFE).- O Governo colombiano iniciou hoje uma investigação sobre as denúncias de que a inteligência militar usou o emblema do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) na operação de resgate de 15 reféns, entre eles Ingrid Betancourt e três americanos.

EFE |

O vice-presidente colombiano, Francisco Santos, descartou hoje em diálogo com emissoras de rádio que as Forças Militares de seu país tenham "usurpado" as funções e símbolos do CICV, como foi denunciado pela emissora americana "CNN" e por um dos dois rebeldes das Farc capturados na operação de resgate do dia 2 de julho.

"O Governo já decidiu iniciar uma investigação, mas nos seis anos em que estive no Governo o que conheci é o respeito absoluto das Forças Militares pelo CICV, é uma relação que se baseia na confiança e por isto foi possível realizar as libertações dos anteriores seqüestrados", declarou.

O funcionário acrescentou que perguntaram a Betancourt se tinha visto emblemas da Cruz Vermelha na operação de resgate "e ela disse que não viu nenhuma imitação destes emblemas".

"O que houve na verdade foi uma operação limpa de engano na qual foram usados emblemas diferentes, humanitários e de cores azul e vermelha que obviamente eram necessários para dar a impressão de que era este tipo de operação, mas em nenhum momento foi usurpada a função do CICV nem de seus símbolos", declarou Santos.

O vice-presidente acrescentou que estas acusações têm que ser investigadas.

Por outro lado, o subintendente da Polícia Armando Castellanos, um dos libertados na operação Xeque, afirmou hoje que embora estivesse muito assustado no momento da ida para o helicóptero, não viu emblemas do CICV ou da emissora "Telesur" durante seu resgate.

"A verdade é que isto aconteceu muito rápido, mas em nenhum momento colocaram emblemas de nenhum tipo", declarou.

A rede "CNN" afirmou em seu site que o uso deste símbolo pode ser considerado "um crime de guerra" pela Convenção de Genebra e pela legislação internacional humanitária.

O CICV, por outro lado, afirmou em inúmeras oportunidades que "não recebeu nenhuma solicitação nem participou da operação", considerada um êxito pelo Governo colombiano.

Porém, delegados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) se reuniram com o rebelde conhecido como "César" para tentar obter a verdade.

Rodolfo Ríos, o advogado de defesa de Gerardo Antonio Aguilar, "César", e Alexander Farfán Suárez, conhecido como "Enrique Gafas", disse hoje à emissora de rádio "A W" que foram visitados por porta-vozes do CICV.

"Na última sexta a Cruz Vermelha Internacional visitou 'César' no pátio da penitenciária de La Picota. Quando eles chegaram ele afirmou a estes funcionários suíços que os elementos que eles usavam do CICV eram muito similares aos que usavam as pessoas que estiveram na operação 'Xeque' no dia em que ele foi capturado", declarou. EFE fer/fal

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