Colômbia ignora exigências do Equador e aumenta tensão na região

Fernando Muñoz. Bogotá, 3 mar (EFE).- O Governo da Colômbia se recusa a responder às exigências do Equador para o restabelecimento das relações diplomáticas entre ambos os países, rompidas há um ano, ao passo que altos funcionários de Bogotá e Quito dão continuidade aos ataques verbais.

EFE |

O presidente do Equador, Rafael Correa, rompeu relações com a Colômbia em 3 de março de 2008, dois dias depois de o Exército deste país ter atacado um acampamento das Farc em território equatoriano, matando "Raúl Reyes", o segundo homem na hierarquia do grupo guerrilheiro, e outras 25 pessoas.

A última iniciativa do Equador para a normalização das relações propõe, entre outras medidas, o reforço da presença militar na fronteira e o pagamento de uma indenização à família do único equatoriano morto naquele ataque.

Embora não tenha respondido a essas solicitações, o Governo colombiano, de fato, fortaleceu suas bases militares na fronteira.

Além disso, evitou fazer pronunciamentos que insinuassem uma relação do Executivo equatoriano com as Farc, outra exigência de Quito.

Porém, o Equador reclama de a Colômbia não ter lhe repassado todas as informações da chamada "Operação Fénix", na qual morreu Reyes.

Bogotá também não se pronunciou sobre a indenização que Quito reivindica para a família de Franklin Aisalla, o equatoriano morto na ofensiva, nem sobre o pedido para que forneça recursos para os milhares de colombianos que se refugiaram no Equador devido à violência que assola a Colômbia.

No último domingo, o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, causou polêmica ao afirmar que a incursão no Equador foi "um ato de legítima defesa".

"Golpear terroristas que sistematicamente estão atentando contra a população de um país para que não fiquem dentro de seu território é um ato de legítima defesa e uma doutrina cada vez mais aceita pela comunidade e o direito internacional", disse.

A resposta a essas polêmicas declarações não tardou a chegar, e tanto o presidente Correa como o Governo da Venezuela as consideraram "uma ameaça".

O chefe de Estado equatoriano pediu ontem a Santos que comece a perseguir os terroristas e narcotraficantes "dentro de casa" e que "não se meta com o Equador".

Por sua vez, a Venezuela expressou hoje em nota sua "rejeição e sua extrema preocupação" com as afirmações do ministro colombiano, às quais se referiu como "irresponsáveis" e "uma ameaça à estabilidade e à soberania dos países da região".

Também provocaram reações do Equador e da Venezuela as declarações do presidente colombiano, Álvaro Uribe, segundo quem os chefes das Farc e do Exército de Libertação Nacional (ELN) vivem nos países vizinhos.

Quanto à Organização dos Estados Americanos (OEA), sua mediação na briga ainda não deu frutos, apesar de vários funcionários colombianos terem se mostrado dispostos a retomar as relações.

As autoridades equatorianas, por outro lado, dizem que, assim que a Colômbia atender às cinco exigências apresentadas por Quito, os laços bilaterais serão refeitos.

A OEA, enquanto isso, aguarda a emissão de um relatório sobre as causas do ataque que, no ano passado, levaram a esta delicada situação. EFE fer/sc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG