BOGOTÁ, 22 de abril (Reuters) - A Colômbia gastará mais de 3,9 bilhões de dólares para indenizar as vítimas da guerrilha e dos esquadrões paramilitares, anunciou nesta terça-feira o presidente Álvaro Uribe ao sancionar um decreto que fixa os mecanismos de reparação por meio administrativo. O país sul-americano de mais de 42 milhões de habitantes enfrenta um violento conflito interno de mais de quatro décadas que faz milhares de vítimas por ano, a maioria civis, e no meio do qual se enfrentam rebeldes de esquerda com paramilitares de ultra-direita.

'O estimado até hoje pode custar 7 bilhões (de pesos). Isto é quase dois por cento do PIB', disse Uribe no ato de sanção do decreto.

'Então fazer um esforço de 7 bilhões, que não sabemos a quanto pode chegar --7 bilhões inicialmente estimados-- em um país altamente endividado, com alto déficit, pobreza, desemprego e com altas carências em necessidades básicas e infra-estrutura, penso que é um esforço meritório', afirmou.

O processo de reparação estabelece que, depois que uma pessoa é considerada vítima por um comitê, recebe anualmente uma indenização por um período de 10 anos.

O decreto estabelece o montante das indenizações por homicídios, desaparecimentos forçados, sequestro, tortura, deslocamento forçado, violação sexual e recrutamento de menores, entre outros delitos.

'Este decreto ajuda a confiança a florescer entre as vítimas. Confiança da qual se infere um sentimento de reconciliação, que dá solidez, no médio e longo prazo, à política de segurança democrática', assegurou Uribe.

Os recursos investidos na reparação das vítimas provêm do orçamento do país.

Até o momento, mais de 100 mil pessoas se apresentaram diante de um comitê em busca de reparação econômica, mas a cifra pode disparar dramaticamente nos próximos meses, de acordo com o governo.

O próprio Uribe mencionou um estudo que revelou que 50 por cento das famílias colombianas são vítimas de violência.

(Reportagem de Luis Jaime Acosta)

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