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Colômbia fragiliza Farc mas enfrenta atritos com vizinhos em 2008

Bogotá, 20 dez (EFE).- A libertação de reféns como Ingrid Betancourt, e a morte de comandantes como Manuel Marulanda Tirofijo e Luis Edgar Devia, Raúl Reyes, deram às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) o pior de seus 44 anos de existência, enquanto a incursão do Exército colombiano no Equador criou uma crise sem precedentes nos Andes.

EFE |

"É o ano definitivo em que perderam valor político, militar e capacidade terrorista", disse à Agência Efe o analista Vicente Torrijos, para quem as Farc pensavam que este seria o momento da troca de reféns por prisioneiros.

A estes golpes de efeito se uniram gigantescas manifestações na Colômbia e em centenas de cidades de todo o mundo para pedir a liberdade dos mais de 700 reféns que a guerrilha socialista ainda mantém na selva colombiana.

A situação das Farc começou a azedar no último dia de 2007, como presságio do que aconteceria nos meses seguintes, quando deram para trás em uma anunciada libertação da ex-parlamentar Consuelo González, da ex-candidata à Vice-Presidência Clara Rojas e de seu filho Enmanuel, de três anos.

Nesse dia, os convidados internacionais que iriam presenciá-la, entre eles o presidente da Venezuela, Hugo Chávez - que esperava colher os louros como seu negociador -, retornaram a seus países com as mãos vazias. Em uma tentativa de recuperar alguma credibilidade, as Farc libertaram dias depois as duas mulheres e, um mês e meio depois, mais quatro ex-parlamentares.

A derrocada começaria para valer em 1º de março, quando uma operação do Exército colombiano matou o "número 2" das Farc, entre mais quase 30 pessoas, em uma operação em território equatoriano, onde uma célula da guerrilha se escondia.

A ação tornou ainda mais espinhosa a já complicada relação com os países vizinhos ideologicamente opostos, embora militarmente tenha sido um triunfo para o presidente colombiano, Álvaro Uribe.

Dois dias depois da morte de "Reyes", o Governo do Equador rompeu relações diplomáticas com a Colômbia, enquanto Chávez - reconhecido como padrinho político de seu colega equatoriano, Rafael Correa - ordenou a expulsão do embaixador e do pessoal diplomático da representação colombiana em Caracas.

A série de acusações mútuas, intermediada às pressas por organismos como a Organização dos Estados Americanos (OEA), a ONU, o Grupo do Rio e o Centro Carter, foi acompanhada da morte, no final de março, de Padro Marin, ou "Manuel Marulanda", fundador das Farc.

Aos 80 anos, o líder rebelde, também conhecido como "Tirofijo" (Tiro Certeiro), morreu em decorrência de um ataque cardíaco.

Depois de nove meses de tensão, Colômbia e Equador seguem com relações conturbadas, embora o comércio entre os países continue ocorrendo normalmente.

Da mesma forma, seguem as relações comerciais entre Colômbia e Venezuela, apesar da ameaça de Chávez de cortá-las e de nacionalizar as empresas colombianas em seu país.

O maior embate entre estes dois países se deu, porém, pela denúncia colombiana de que o Governo da Venezuela, incluindo o próprio Chávez, negociava um donativo de US$ 300 milhões às Farc, com base em mensagens encontradas em um computador de "Reyes" apreendido durante a operação.

Os governos da Venezuela e do Equador acusaram a Colômbia de falsificar os dados do computador, que, no entanto, foram comprovados como autênticos pela Interpol (Polícia internacional), em meados de maio.

No início de julho, a Colômbia mostrou novamente a decadência do poder das Farc ao libertar, em uma operação de infiltração - sem negociar nem disparar um tiro sequer - a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, três militares americanos e mais 11 reféns.

Segundo Juan Manuel Santos, ministro da Defesa da Colômbia, os militares se infiltraram nas Farc e enganaram seus integrantes, fingindo ao chefe local do acampamento onde estavam presos que iriam levá-los a Guillermo León Sáenz, mais conhecido como "Alfonso Cano", sucessor de "Marulanda" e "Reyes" no comando das Farc.

Em 27 de outubro, a fuga do ex-senador Oscar Tulio Lizcano, acompanhado de seu carcereiro, conhecido como "Isaza", que resolveu desertar, expôs ainda mais a atual fragilidade das Farc, apesar da grande quantidade de reféns que ainda mantêm.

Com a principal guerrilha enfraquecida, o general Oscar Naranjo, chefe da Polícia colombiana, arriscou dizer recentemente que "2008 foi o ano negro das Farc, e 2009 será o do Exército de Libertação Nacional" (ELN, segunda maior insurgência socialista do país).

rd/jp/mh

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