Colômbia espera que Farc respondam a apelo de Chávez e libertem reféns

Bogotá, 9 jun (EFE) - O Governo colombiano espera que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) respondam ao apelo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para que libertem sem condições preestabelecidas os seqüestrados, uma possibilidade que hoje foi cogitada pelo ex-refém do grupo Luis Eladio Pérez. O ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, comemorou hoje a declaração feita por Chávez neste domingo, quando o chefe de Estado venezuelano afirmou que as Farc devem entregar os reféns em troca de nada e que a guerra de guerrilha não tem razão de ser no mundo atual. A esta altura, na América Latina, está fora de ordem um movimento guerrilheiro, e isso deve ser dito às Farc, disse Chávez, que pediu ao grupo para libertar as pessoas que estão em seu poder para iniciar um processo de paz na Colômbia. Tomara que essa atitude (de Chávez) se traduza em fatos. Se isso se traduzir em fatos, é uma notícia muito boa, afirmou Santos.

EFE |

Por sua parte, Luis Eladio Pérez, libertado em fevereiro, após quase sete anos em poder das Farc, disse hoje que vários reféns da guerrilha serão entregues em breve e inclusive considerou provável que alguns civis já estejam sendo soltos.

"Eu acho que vão se produzir fatos muito rapidamente. Sem dúvida, acho que vários dos seqüestrados já estão, neste momento, caminhando rumo à marcha da liberdade. O país conhecerá notícias muito em breve", afirmou.

Desde que foi libertado, Pérez fez intensas gestões para soltar os outros reféns. Entre esses atos se insere uma visita ao presidente da França, Nicolas Sarkozy, que tem grande interesse na libertação da ex-candidata presidencial franco-colombiana Ingrid Betancourt, seqüestrada em 2002.

Em janeiro e fevereiro deste ano, as Farc soltaram unilateralmente seis pessoas, entre elas Pérez, graças a gestões de Chávez e da senadora opositora colombiana Piedad Córdoba.

Apesar disso, esses trabalhos se viram prejudicados em 1º de março, depois de um bombardeio colombiano a território equatoriano, no qual morreram 26 pessoas, entre elas um dos líderes da guerrilha, "Raúl Reyes".

"Eu tenho certeza de que esse é o esquema que está sendo adotado e que, muito em breve, (as libertações) vão acontecer, tomara que o mais rápido possível, não importa se pela Venezuela ou pelo Equador.

O importante é tirar rapidamente com vida todos os seqüestrados da Colômbia", ressaltou Pérez.

O ex-senador acrescentou que, "posteriormente, virá a libertação dos militares, dos policiais" e dos americanos Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalves, seqüestrados em 2003.

"O importante é que se destrave (a gestão) e tenho certeza de que, com apenas uma libertação, o processo vai fluir", ressaltou o ex-legislador.

Estas declarações se somam às do jornalista Carlos Lozano Guillén, diretor do semanário comunista "Voz" e delegado autorizado pelo Governo colombiano para estabelecer contatos com as Farc.

No domingo, Guillén confirmou aproximações com o novo chefe desse grupo insurgente, Guillermo León Sáenz, conhecido como "Alfonso Cano".

O rebelde substituiu no comando das Farc o lendário fundador da guerrilha, Pedro Antonio Marín, conhecido como "Manuel Marulanda" ou "Tirofijo", que morreu, em 26 de março, de um ataque cardíaco, de acordo com o grupo.

"Não tivemos uma troca de mensagens, mas está aberto um canal de comunicação direto e confiável com Cano. Enviamos já mensagens muito claras sobre a libertação", ressaltou Lozano Guillén.

O mediador explicou que essa gestão é realizada com o ex-ministro e ex-candidato presidencial Álvaro Leyva, talvez o político colombiano mais bem visto pelas Farc e que realizou gestões em busca do chamado acordo humanitário.

Este tratado, cujas conversas já levam mais de cinco anos sem frutos, tem como objetivo trocar um grupo de 40 políticos, soldados, policiais e americanos seqüestrados por cerca de 500 guerrilheiros presos.

A troca sempre encontrou obstáculos na exigência das Farc da desmilitarização temporária dos municípios de Florida e Pradera, no sudoeste da Colômbia, e na rejeição do Governo a essa possibilidade, por considerações de soberania.

O jornalista Lozano Guillén considerou como "discreta e prudente" a forma como se desenvolveram as gestões até agora e destacou que as conversas são respaldadas pelo grupo de "países amigos", formado por França, Espanha e Suíça. EFE gta/db

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