Colômbia é vulnerável a possíveis agressões externas, admite ministro

Bogotá, 20 dez (EFE).- A Colômbia tem vulnerabilidades sérias frente a eventuais agressões externas, em um momento no qual aumentou o risco de que estas aconteçam, admitiu o ministro da Defesa colombiano, Gabriel Silva, em entrevista publicada hoje pelo jornal El Tiempo.

EFE |

"Estamos concentrados na ameaça interna" das guerrilhas e do narcotráfico, "mas apareceu o risco, porque assim foi colocado de maneira muito direta e muito clara, de uma eventual ação externa contra a Colômbia", ressaltou Silva.

O ministro disse que, diante desse risco, a Colômbia está fazendo os "investimentos necessários para ter capacidade de dissuasão e de reação".

Precisamente, o Exército colombiano abriu ontem sete novos batalhões, dois deles em departamentos fronteiriços com a Venezuela, e planeja ampliar a capacidade de uma base militar localizada também perto dos limites com esse país.

"Não se trata de se preparar para uma agressão, trata-se de se preparar para evitá-la. E quero insistir nisso: estamos nos preparando para evitar uma agressão. Não entraremos nunca em uma corrida armamentista", enfatizou.

A Colômbia está há meses em meio a grave crise com a vizinha Venezuela, cujo presidente, Hugo Chávez, chegou inclusive a chamar os cidadãos e militares de seu país a "se preparar para a guerra".

Chávez considera uma "ameaça" para a segurança regional o acordo assinado entre Bogotá e Washington para que militares americanos possam usar bases colombianas.

"Pelo respeito da Colômbia aos procedimentos legais, talvez houve uma gestão que não foi acertada. Falou-se do tema primeiro e mais nos Estados Unidos do que aqui. Vamos dizer a verdade: isso nos saiu mal", comentou Silva, sobre a difusão e explicação desse acordo militar.

O acordo com os Estados Unidos despertou inquietação tanto na Venezuela quanto em outros países latino-americanos.

Segundo o ministro, os acordos de cooperação da Colômbia não só com os EUA, mas com outros países como México, Peru, Chile e Panamá, são necessários, porque "ainda há muito a fazer e falta muito para derrotar o narcotráfico, que é o combustível do terrorismo".

O ministro acrescentou que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a guerrilha mais antiga da América Latina, não estão "agonizando nem terminadas", e alertou que a capacidade terrorista do grupo continua "muito alta", apesar de seu estado de "debandada e de total colapso".

Sobre o recente anúncio da aliança entre as Farc e a guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN) feito pelos comandantes de ambos os grupos, disse que, quando "dois inimigos ferrenhos se unem, fazem isso por fraqueza". EFE mb/an

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