Colômbia e Nicarágua elevam tom de críticas em sessão na OEA

Céline Aemisegger Washington, 24 jul (EFE).- A Colômbia e a Nicarágua voltaram hoje a trocar duras acusações na Organização dos Estados Americanos (OEA), em virtude do apoio do Governo nicaragüense às Forças Armadas Revolucionárias Colômbia (Farc) e de uma velha disputa sobre a soberania marítima no Caribe.

EFE |

Em um acalorado debate na sessão ordinária do Conselho Permanente da OEA, a Colômbia acusou de novo o chefe de Estado da Nicarágua, Daniel Ortega, de "proteger" as Farc.

Por sua vez, o embaixador nicaragüense no órgão, Denis Moncada, chamou a Colômbia de "narcoestado" e acusou o Governo do país de recorrer ao "terrorismo de Estado".

O primeiro "golpe" no combate foi desferido pelo representante colombiano na OEA, Camilo Ospina, segundo quem o "apoio direto" de Ortega ao "grupo terrorista" das Farc representava uma "atitude hostil" em relação à Colômbia, a seu povo e à sua democracia, Ospina fez uso de duras palavras ao afirmar que o presidente nicaragüense "protege terroristas", "tira da boca de seus cidadãos milhares de dólares" para transportar os rebeldes até seu território, dispensa a estes um tratamento digno de "princesas" e "viola a lei internacional".

O diplomata colombiano também disse que a "flagrante" violação do direito internacional da Nicarágua fica clara quando Ortega "se solidariza com o grupo terrorista das Farc, protege seus integrantes, lhes oferece diálogo e promove suas atividades".

O protesto da Colômbia na OEA foi motivado por várias ações e declarações feitas pelo chefe de Estado nicaragüense nas últimas semanas, as quais dificultaram ainda mais as relações entre ambos os países.

Outros atos do Governo da Nicarágua que irritaram a Colômbia foram a apresentação em público de duas supostas guerrilheiras às quais Manágua deu asilo, o termo "irmãos" que Ortega usou para falar das Farc, sua afirmação de que não precisa pedir permissão "para lutar pela paz" e a suposta viagem de seis guerrilheiros ao país para assistir às comemorações do 29º aniversário da Revolução Sandinista.

Com base nisso, o embaixador colombiano disse que irá à Justiça nicaragüense caso fique comprovado que Ortega se reuniu com as Farc.

Ospina também pediu que a OEA "fique atenta" ao cumprimento das obrigações da Nicarágua na luta contra o terrorismo.

Um dos momentos mais tensos da sessão foi quando o diplomata da Colômbia acusou a Nicarágua de "proibir os partidos políticos da oposição", de "perseguir a imprensa livre", de "apoiar o terrorismo" e de infligir "muitas outras injúrias à democracia e à liberdade".

Já o embaixador nicaragüense iniciou sua intervenção denunciando o "insistente desprezo" da Colômbia ao direito internacional, já que se recusa a cumprir a resolução da Corte Internacional de Justiça (CIJ) sobre a fronteira marítima com a Nicarágua no mar do Caribe.

Moncada acusou a Colômbia de "ameaçar" seu país com o uso da força e exigiu que Bogotá respeite a soberania da Nicarágua e "retire sua ameaçadora fragata" do mar Caribe.

O diplomata também acusou a Colômbia de aplicar o "terrorismo de estado" e de ser um "narcoestado" e uma "plataforma produtiva de drogas" que transforma muitos países em rotas do tráfico.

Moncada também não hesitou em dizer que a Nicarágua se reserva o direito de acusar a Colômbia de "crimes internacionais".

Em uma resposta mais direta à denúncia da Colômbia, o embaixador afirmou que as Farc são um "movimento de libertação nacional" e que seu país se vê "obrigado" a dar asilo a pessoas perseguidas e que foram "vítimas do terrorismo de Estado e das atrocidades" do Governo colombiano.

"Que a (Colômbia) deixe de desprezar o direito internacional e o direito humanitário", disse Moncada.

O embaixador nicaragüense assegurou que seu país "respeita" a soberania dos Estados e fará "tudo o que estiver a seu alcance" para que a paz e a estabilidade reinem a região.

Depois da troca de acusações entre os dois países, o único país-membro que interveio foi os Estados Unidos, cujo embaixador, Héctor Morales, disse que as Farc não são um "movimento de libertação nacional", mas um grupo terrorista.

Ao término da sessão, o secretário-geral da OEA, o chileno José Miguel Insulza, se distanciou das acusações, limitando-se a afirmar aos jornalistas que "isso não acrescenta nada" à paz e à estabilidade da região. EFE ca/sc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG