Colômbia e 90 cidades do mundo se preparam para mobilização contra seqüestros

Bogotá, 19 jul (EFE).- Aproximadamente 1.

EFE |

100 centros urbanos da Colômbia e pelo menos 90 cidades ao redor do mundo promoverão amanhã mobilizações para pedir a liberdade de cerca de 3.500 pessoas que são mantidas reféns no país por grupos armados ilegais ou por quadrilhas comuns de seqüestradores.

As manifestações acontecerão no dia dos 198 anos da Independência colombiana, que, inicialmente, seriam comemorados com um desfile militar e um show na cidade amazônica de Leticia.

Os atos comemorativos em Leticia, a capital do departamento (estado) do Amazonas, serão liderados pelo chefe de Estado colombiano, Álvaro Uribe, e contarão com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ontem à noite chegou a Bogotá em visita oficial, e do governante peruano, Alan García.

O dia será o terceiro nos últimos cinco meses dedicado a manifestações contra a prática do seqüestro e seus autores: guerrilheiros, paramilitares e criminosos comuns.

Os 1.102 municípios do país, entre eles as 32 capitais departamentais, além de outros 50 povoados, vão acolher manifestações e shows, segundo o Ministério da Cultura colombiano, cuja titular, Paula Marcela Moreno, assumiu a organização dos eventos.

As mobilizações ratificarão que "a cultura é a base para a construção de uma sociedade democrática que aposta decididamente na paz e na democracia", afirmou a funcionária.

O show principal, em Leticia, e os programados para os demais centros urbanos do país tinham sido anunciados como uma prévia do bicentenário da Independência, a ser comemorado em 2010, mas a convocação das manifestações contra o seqüestro fez as apresentações ganharem um alcance maior.

Além disso, cantores e compositores famosos aderiram à causa.

Shakira, por exemplo, vai se apresentar em Leticia, onde cantará o Hino Nacional, ao passo que Juanes, também conhecido internacionalmente, vai fazer um show em Paris, que será aberto pela franco-colombiana e ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Ingrid Betancourt.

As manifestações de amanhã partiram de uma iniciativa de um dos militares colombianos resgatados no último dia 2 junto com a ex-candidata à Presidência do país.

No mesmo dia em que foi libertado, o oficial propôs as marchas durante um discurso que o presidente do país, Álvaro Uribe, fez em companhia dos libertados.

A proposta imediatamente recebeu o apoio de Betancourt, dos meios de comunicação e de vários movimentos surgidos em sites de relacionamentos na internet.

As manifestações, que em princípio lembrariam os 25 reféns "passíveis de troca" em poder das Farc, tiveram seu foco ampliado às quase 3.500 pessoas que estão em cativeiro no país.

Esse número é da Fundação Nova Esperança, ONG de luta contra os seqüestros que calcula que, do total dos reféns, mais de 700 estão em mãos das Farc e aproximadamente 500 se encontram em poder do Exército de Libertação Nacional (ELN).

Os demais foram seqüestrados por grupos paramilitares e por criminosos comuns, segundo a ONG.

Com o intuito de tranqüilizar a população, o chefe da Direção de Segurança Civil da Polícia Nacional, general Orlando Páez, disse que amanhã ocorrerá "uma festa nacional sem precedentes na história" da Colômbia.

O oficial declarou à "Rádio Caracol" que a instituição mobilizou seus 145 mil soldados para garantir a tranqüilidade dos colombianos no evento. EFE jgh/bm/sc

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