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Colômbia diz que só negociará com Farc quando grupo deixar de assassinar

BOGOTÁ - O governo colombiano só negociará com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) quando deixarem de assassinar e sequestrar, disse nesta terça-feira o ministro das Relações Exteriores, Jaime Bermúdez.

Redação com agências internacionais |

O chanceler insistiu em que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, "foi muito claro ao dizer que combaterá com todo o rigor da força legítima do Estado os terroristas enquanto persistirem os atos de terror".

Assim, Bermúdez respondeu aos comunicados das Farc, divulgados na segunda-feira, nos quais os guerrilheiros afirmavam que apenas libertariam 22 policiais e militares sequestrados em troca de 500 guerrilheiros presos.

"Este governo aceitou mais de 14 fórmulas diferentes para um acordo humanitário", afirmou Bermúdez, ao lembrar que Uribe chegou a acatar "a mediação de ex-presidentes, membros da oposição e governos estrangeiros".

Aquelas ações, segundo o chefe da diplomacia, levaram o governo colombiano a assumir "custos e riscos políticos enormes, sujeitando o interesse político ao interesse humanitário".

Ele ressaltou que "foram impostas condições porque o Estado não pode renunciar a garantir a segurança não somente aos que hoje estão sequestrados, mas aos que podem ser sequestrados amanhã".

Agora, o governo impõe a condição de que as Farc coloquem fim às hostilidades, mas não pede que entreguem as armas e se desmobilizem imediatamente, e sim que seja dado um primeiro passo para depois entrar em uma negociação.

"O esquema é parecido ao que foi utilizado na Irlanda do Norte", afirmou Bermúdez. "Não se pode negociar com alguém de boa fé enquanto essa pessoa continuar matando gente, sequestrando gente", acrescentou.

Intenção política

Também nesta terça-feira, o ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou que a libertação unilateral de seis reféns na última semana tem a "intenção política" de influenciar as eleições presidenciais de 2010.      

Segundo Santos, "com as ações políticas, libertando sequestrados a conta-gotas, (as Farc) querem se colocar em uma situação onde possam influenciar nas próximas eleições, como já fizeram em eleições passadas".     

Na semana passada, a guerrilha pôs em liberdade os políticos Alan Jara e Sigifredo López, os policiais Walter Guarnizo, Juan Fernando Galicia e Alexis Torres, além do soldado Giovanny López, em uma ação unilateral.       

Santos considerou que a intenção das Farc é influir na "psique colombiana" para gerar "ansiedade por uma negociação de paz" e assim sugerir um possível candidato presidencial com quem estariam dispostos a negociar o acordo de paz.     

O ministro afirmou que este é o caminho para o "engano", e lembrou uma frase comum de Uribe, quando se refere às Farc, apelando a um dito popular: "Não se castra um cão duas vezes. Já estamos prevenidos", afirmou.     

De acordo com Santos, as Farc são uma "cobra" que "continua viva, está ferida e desprezada, e as feras desprezadas são as mais perigosas".

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