Colômbia diz que respeita autonomia do Brasil em contatos com Farc

BOGOTÁ - O governo colombiano afirmou hoje que respeita a autonomia do Brasil na análise da informação do computador do guerrilheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Raúl Reyes, que adverte para supostas ligações de altos funcionários do país com a guerrilha.

EFE |

"É o Brasil, com a informação que tem em suas mãos, que deve avançar em olhar as eventuais responsabilidades e investigações que ocorram", disse a jornalistas o ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Jaime Bermúdez.

O chanceler colombiano afirmou que o governo de seu país tem "excelentes relações" com o Brasil.

No dia 27 de julho, a Colômbia entregou às autoridades brasileiras dados sobre supostos contatos das Farc no país, segundo anunciou o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos.

No entanto, o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, disse na quarta-feira à imprensa que não existe nem existiu presença das Farc no Brasil.

Garcia esclareceu também à emissora colombiana "La FM" que nunca qualificou de "irrelevantes" as informações sobre supostas conexões das Farc no país, mas "não encontrou dados relevantes" nelas.

As declarações de Bermúdez foram feitas após revelações da revista colombiana "Cambio" nas quais, segundo informações do computador de Reyes, a presença das Farc no Brasil "chegou até as mais altas esferas do governo", do Partido dos Trabalhadores (PT) a dirigentes políticos e do poder judiciário.

Essas informações se depreendem dos e-mails do ex-guerrilheiro, morto junto a outras 25 pessoas no dia 1º de março no ataque de tropas colombianas a um acampamento da guerrilha em território equatoriano, segundo a última edição dessa revista, que entrou hoje em circulação.

Nos e-mails de "Reyes" são mencionados "cinco ministros, um procurador-geral, um assessor especial do presidente, um vice-ministro, cinco deputados, um vereador e um juiz superior" do Brasil, acrescenta a revista.

A publicação cita, entre outros, o ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu; Roberto Amaral, ex-ministro de Ciência; a deputada Erika Kokay; e Gilberto Carvalho, chefe de Gabinete.

Os e-mails mencionam inclusive o nome de Celso Amorim, o ministro de Relações Exteriores; o assessor Marco Aurélio Garcia; Perly Cipriano, subsecretário de Promoção de Direitos Humanos; Paulo Vanucci, ministro da Secretaria de Direitos Humanos; e o também assessor presidencial Selvino Heck.

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