O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, afirmou nesta quarta-feira que ainda não é o momento para que seu país integre o Conselho Sul-americano de Defesa. Uribe disse que a Colômbia tem dificuldades para participar do conselho proposto pelo governo brasileiro e afirmou que confia mais em mecanismos como a Organização de Estados Americanos (OEA).

"Acreditamos em mecanismos como a OEA e, além do mais, temos um problema, que é o terrorismo, e que nos faz ser muito cuidadosos na tomada dessas decisões", disse Uribe em entrevista à rádio colombiana RCN.

Até agora, os demais países da região se mostraram favoráveis à criação do conselho.

A ausência da Colômbia, porém, poderia dificultar os planos do Brasil de utilizar o organismo como instrumento para prevenção e solução de conflitos na América do Sul.

Unasul
Nesta quarta-feira, o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o conselho poderá ser lançado já na sexta-feira, durante a reunião constitutiva da União Sul-americana de Nações (Unasul), em Brasília, da qual participarão os chefes de Estado da América do Sul.

A idéia da criação do conselho ganhou força em 1º de março, quando se desencadeou uma crise diplomática entre Colômbia, Equador e Venezuela, após uma incursão militar do Exército colombiano em território equatoriano.

Para Amorim, a Unasul poderá discutir as relações diplomáticas entre os países andinos que, desde então, estão cada vez mais conturbadas.

"A Unasul é o espaço adequado para a decisão deste e de outros temas", afirmou.

Tensão
O clima que antecede a criação do Conselho de Defesa e da Unasul ainda é de tensão.

Uribe disse que recusou o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que a Colômbia presidisse o novo bloco devido à crise com seus colegas do Equador e Venezuela.

No último sábado, o governo da Venezuela denunciou que 60 militares colombianos invadiram seu território, ao mesmo tempo que um avião militar dos Estados Unidos invadia o seu espaço aéreo.

"Esse será um tema que levaremos ao Brasil (na reunião da Unasul), porque nós queremos, necessitamos e estamos obrigados a garantir a paz. E como garantir a paz? Com união, e se não é a união de todos, lamentavelmente, será de quase todos os países", afirmou o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em referência a Uribe.

Base militar
Outro tema polêmico que envolve os países andinos em matéria de Defesa é a possível transferência da base militar norte-americana de Manta, no Equador, para a Colômbia, já que o presidente equatoriano, Rafael Correa, não renovará a licença para a base, que vence em 2010.

Na semana passada, Chávez disse que não permitiria que a base fosse construída no departamento (Estado) colombiano Guajira, na fronteira com a Venezuela, conforme havia afirmado o embaixador dos EUA em Bogotá, William Browfield.

Nesta quarta-feira, apesar de seu governo ter desmentido a construção da base em Guajira, Uribe não descartou a possibilidade de que a base de Manta seja transferida para algum ponto do território colombiano.

Apesar disso, afirmou que nenhuma decisão de seu governo pretende "desafiar" seus vizinhos.

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