Bogotá, 14 dez (EFE).- Este 2008 foi um ano negro para Forças Armadas revolucionárias da Colômbia (Farc) e o2009 será para o Exército de Libertação Nacional (ELN), afirmou em entrevista publicada hoje o general Oscar Naranjo, diretor da Polícia colombiana, pedindo, porém, para que se evite o clima de já ganhou.

Naranjo, promovido há duas semanas a geral de duas estrelas, declarou ao jornal "El Tiempo" que as Farc acumularam "derrotas estratégicas" este ano.

Ele lembrou a morte ou deserção de importantes membros das Farc, entre eles Luis Edgar Devia, conhecido como "Raúl Reyes", porta-voz internacional da narcoguerrilha, que foi morto em uma operação colombiana em território equatoriano em março passado, na qual morreram outras 25 pessoas.

Naranjo acrescentou que as Farc "perderam o comando e o controle" e "já não somente são uma organização isolada em termos políticos internacionais, mas também isolada entre seus frentes".

Contudo, advertiu que os últimos ataques das Farc, entre eles um cometido contra uma missão de trabalho social no departamento (estado) de Caquetá, no sul do país, no qual mataram duas pessoas, demonstram que se deve "agir com maior inteligência, sem 'triunfalismos'".

Ressaltou que é preciso "estar atento à transformação de uma organização que terá no terrorismo seu único recurso para assegurar visibilidade pública".

Enquanto isso, o Exército de Libertação Nacional (ELN), a segunda guerrilha socialista do país em tamanho, manifestou que a justiça dos Estados Unidos procura a entrega de 19 de seus membros por seqüestros que tocaram interesses americanos.

"Se 2008 foi o ano negro das Farc, 2009 o será o do ELN. Pela primeira vez em muito tempo autoridades colombianas e norte-americanas juntaram provas para iniciar processos jurídicos com fins de extradição", disse.

O oficial assegurou que a Polícia desativou este ano pelo menos 38 bombas em Bogotá e outros em várias cidades colombianas, "que tinham como propósito causar comoção coletiva urbana".

De outra parte, o general Naranjo lamentou que quadrilhas criminosas tenham "se infiltrado em alguns setores da Polícia " inclusive de sua própria instituição.

"Neste ano, mais de 1.200 de nossos homens em cargos sensíveis à corrupção foram descobertos. Refiro-me a especialidades como inteligência, Polícia Judiciária, trânsito e transporte, portos, aeroportos e alfândegas", precisou. EFE gta/jp

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