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Colômbia destituiu 22 militares por execuções

O governo da Colômbia destituiu 22 militares, nesta quarta-feira, acusados de envolvimento no desaparecimento e assassinato de jovens inocentes para inflar estatísticas de combate à guerrilha. Entre os destituídos estão três generais.

BBC Brasil |

A acusação afirma que há indícios de que jovens civis e pobres das periferias de Bogotá foram seqüestrados e mortos para depois serem apresentados como membros de grupos armados, que teriam morrido em combate.

Eles seriam levados para o norte do país e depois executados, com o objetivo de mostrar que o combate à guerrilha estava dando certo.

O escândalo começou a ser investigado depois que foi descoberta uma vala comum com o corpo de 19 jovens que haviam desaparecido. Segundo familiares, os jovens foram atraídos para as regiões de conflito por ofertas de emprego atraentes e nunca mais voltaram.

O Ministério Público colombiano considera que o assassinato de jovens para criação de estatísticas artificiais na luta contra as guerrilhas pode ser uma prática generalizada no Exército. Algumas fontes falam que o número de desaparecidos pode chegar a mil.

Críticos afirmam que o governo do presidente Álvaro Uribe criou mecanismos para recompensar a eficácia de militares no combate às guerrilhas, o que teria motivado os crimes.

Sem precedentes
O governo afirmou que repudia a possível prática das execuções. "Não podemos permitir que se confunda a eficácia na luta contra os delinqüentes com a covardia para enfrentá-los, a distorção da eficácia assassinando vítimas inocentes", afirmou Uribe, ao anunciar a destituição dos militares.

A medida se soma à demissão de outros três coronéis, destituídos na semana passada, que pertenciam à 15ª Brigada Móvel, que opera na província Norte de Santander, próximo à fronteira da Venezuela.

"Essas descobertas mostram que em algumas instâncias do Exército houve negligência, falta de cuidados com os procedimentos que têm que ser observados e isso permitiu que algumas pessoas pudessem envolver-se em crimes, crimes (que são) resultado da confabulação entre delinqüentes e integrantes do Exército", acrescentou Uribe.

O escândalo não tem precedentes no país e o governo vem sendo duramente criticado por organizações de direitos humanos.

Na terça-feira a organização Anistia Internacional divulgou um informe no qual solicitou a interrupção da ajuda militar ao governo colombiano, para com isso, diminuir a violação aos direitos humanos. A oposição pediu a renúncia do Ministro de Defesa, Juan Manuel Santos.

"O ministro não pode lavar as mãos, ele tem que assumir a responsabilidade política", afirmou o senador Juan Fernando Cristo a uma rádio local.

Nas duas últimas décadas, pelo menos 70 mil pessoas foram mortas em conseqüência do conflito armado na Colômbia. A maioria dos mortos foi de civis.

Além dos 25 militares destituídos, que serão julgados pela Justiça, o Ministério Público investiga a 2,3 mil servidores públicos por suposto envolvimento nas execuções extrajudiciais.

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