Colômbia descarta trégua militar para soltar reféns das Farc

Paris, 1 abr (EFE).- O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse que seu país não renunciará nunca às operações militares de salvamento de reféns das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e acusou o grupo de não aceitar trocar seqüestrados por guerrilheiros presos.

EFE |

Em entrevista publicada hoje no jornal francês "Le Figaro" Juan Manuel disse que o presidente colombiano, Álvaro Uribe, "quer que sejam localizados os grupos da guerrilha que estão com os seqüestrados para poder observá-los e assim negociar a libertação dos reféns com a mediação da Cruz Vermelha Internacional".

O ministro colombiano afirmou ainda ter dito às Farc que a Colômbia está disposta a negociar um acordo de paz.

Segundo Juan Manuel a troca humanitária não interessa às Farc, o que pode ser comprovado pelo fato de o grupo revolucionário ainda não ter divulgado a lista de guerrilheiros que o governo deseja que seja libertado.

Com relação à Ingrid Betancourt, seqüestrada pelas Farc em fevereiro de 2002 e cujo estado de saúde - segundo testemunhas - é grave, Juan Manuel afirmou que sua situação é responsabilidade da guerrilha.

"Se acontecer o pior, o mundo deve saber que os únicos responsáveis por esse drama são as Farc. O governo colombiano fez todo o possível para preservar a vida de Ingrid e facilitar sua libertação", disse o ministro colombiano.

Para Juan Manuel a eventual morte de Betancourt seria "lamentável e muito contraproducente para as Farc" e assinalou que se a guerrilha tiver um pouco de "humanidade" deveria libertá-la "imediatamente".

O ministro colombiano afirmou que o governo não vai cessar o combate contra as Farc por causa dos reféns, porque tem "a obrigação constitucional de defender os colombianos contra os danos das Farc, que assassinam, recrutam crianças e colocam bombas e minas".

Durante a entrevista o colombiano negou que na operação que causou a morte do número dois das Farc, Raúl Reyes, tenha contado com a participação de soldados americanos e que a localização do acampamento guerrilheiro tenha sido feita a partir de uma chamada telefônica ligada às negociações por um acordo humanitário.

Ele afirmou que as Farc têm "bases permanentes" no Equador e Venezuela e destacou que o acordo assinado recentemente com estes países gera "uma melhor colaboração para lutar contra os grupos armados". "Esperamos que o Equador e Venezuela apliquem estes acordos", disse Juan Manuel.

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