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Colômbia descansa sem Tirofijo e Farc vivem mau momento, diz Governo

Bogotá, 25 mai (EFE).- O Governo colombiano afirmou hoje que o país descansa com a confirmação da morte do líder histórico e fundador das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), conhecido como Tirofijo, e destacou que essa organização passa por um mau momento.

EFE |

O ministro do Interior e de Justiça, Carlos Holguín, declarou que com o falecimento, confirmado hoje por Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido como "Timochenko" ou "Timoléon Jiménez", o país se livra de uma das figuras que mais causou dano aos colombianos.

Para Holguín, Pedro Antonio Marín, mais conhecido como "Tirofijo" ou "Manuel Marulanda Vélez", foi um dos personagens que "mais mortes causou e mais dor levou ao território pátrio".

"Tirofijo", máximo comandante das Farc, morreu no último dia 26 de março em conseqüência de um infarto cardíaco, segundo a guerrilha - embora o Governo cogite a hipótese de morte em bombardeios.

Seu falecimento fora antecipado pelo ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, em uma entrevista à revista "Semana" publicada neste sábado em sua página da internet.

Segundo "Timochenko", em um vídeo divulgado neste domingo pela televisão venezuelana "Telesur", "Tirofijo" morreu "nos braços de sua companheira e rodeado por sua guarda pessoal".

Santos, por sua vez, afirmou hoje que o líder rebelde era um "obstáculo" para qualquer tentativa de paz e que faleceu "isolado".

Ele também citou sobre o pedido que fez às Farc para que liberassem uma autópsia, com o intuito de estabelecer as verdadeiras causas da morte do comandante.

Os serviços de inteligência, segundo ele, "haviam descoberto" o acampamento do guerrilheiro em um local próximo à divisa dos departamentos de Meta e Huila.

A morte de "Marulanda", segundo a guerrilha, foi em conseqüência de uma parada cardíaca - embora também se especule que ele possa ter morrido em um confronto dentro de seu acampamento, assinalou em entrevista coletiva o titular da Defesa.

Acrescentou que gostaria que as Farc tivessem a dignidade de permitir uma autópsia para estabelecer as verdadeiras causas da morte.

Santos avaliou que o grupo insurgente atravessa "seu pior momento", e advertiu que os bombardeios "continuarão contra todos os chefes das Farc", ponto com o qual Holguín concordou.

O Governo do presidente Álvaro Uribe seguirá "avançando na eliminação das Farc e desse grupo terrorista de bandidos", indicou o ministro do Interior e de Justiça.

Sobre o "sucessor" de "Manuel Marulanda Vélez", comentou que "não se deve criar expectativas nem cantar vitória", e advertiu que "as operações militares vão continuar".

Já Santos, ratificou que em substituição a "Tirofijo" assume o comando geral "Alfonso Cano", considerado um ideólogo da organização, e divulgou uma gravação de dois guerrilheiros, captada no sábado, na qual um confirma ao outro a morte de "Marulanda".

Na gravação é possível ouvir como um deles, conhecido como "Alberto Cancharina", diz ao outro: "o velho morreu de parada cardíaca em 26 de março (...) isso é verdade (...) Em substituição a ele fica o camarada 'Alfonso Cano' (...) É necessário dizer isso ao povo".

Santos, que considerou que "'Tirofijo' tinha uma "visão arcaica" e era "um personagem ancorado no passado que causou dor, sofrimento, violência e morte à Colômbia", aproveitou a entrevista coletiva para convidar os chefes e os combatentes das Farc para uma desmobilização.

Também solicitou com insistência a "Alfonso Cano" e ao responsável do "aparato militar" das Farc, Jorge Briceño Suárez, conhecido como "Mono (Macaco) Jojoy", que aproveitassem a generosidade do presidente Álvaro Uribe e "entrassem pela porta da paz".

"Não há futuro. Foram 44 anos de tentativas infrutíferas onde o que se obteve como resultado no país foi desolação e violência", lembrou Santos.

Assinalou que a perda do líder - a que seus próprios membros denominaram de corte muito profundo - que mantinha a coesão, a unidade, é um passo determinante.

"Esse enfraquecimento é irreversível e continuaremos a combatê-lo, embora esteja aberta a mão generosa do Estado e a oferta da paz", concluiu o ministro da Defesa. EFE rrm/fh/fb

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